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1 de fevereiro de 2009

Óleo de cozinha pode virar biodiesel

O óleo de fritura é utilizado e depois descartado em pias, tanques e esgotos. A etapa posterior a esse caminho trivial do resíduo de cozinha, no entanto, é desconhecida pela maioria das pessoas, que não imaginam ser o alimento uma da substâncias mais nocivas ao meio ambiente. Estima-se que é necessário apenas um litro do produto despejado para poluir um milhão de litros de água. A fim de reduzir o impacto ambiental causado pelo óleo, a pesquisadora do Departamento de Química da Universidade Federal Rural de Pernambuco (DQ-UFRPE), Cláudia Bejan, desenvolveu um projeto de coleta e reciclagem do material, que pode virar até matéria-prima para biodiesel.
Inicialmente, o trabalho se tratava de um curso de extensão para jovens de uma escola da rede pública de ensino, onde aprenderiam a coletar e armazenar o óleo de cozinha. Idealizado em janeiro de 2008, o projeto foi posto em prática entre os meses de abril e junho deste ano. Após terem noções de sustentabilidade – empreendimento humano ecologicamente correto e economicamente viável, com o objetivo de preservar a biodiversidade –, os estudantes passaram a visitar casas, bares, restaurantes e outros estabelecimentos que lidam com alimentação, para recolher o material e conscientizar a comunidade sobre os impactos causados pelo óleo de fritura.
Durante a realização do projeto, surgiu a oportunidade de parceria com a Usina Piloto de Biodiesel do Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene), em Caetés, a 249 quilômetros do Recife, ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Lá, o óleo recolhido pelos estudantes, através da reciclagem, seria utilizado na produção de biodiesel, que ainda está em fase de teste. De acordo com Cláuda Bejan, o aproveitamento do óleo de fritura é de 90%. Ou seja, de cada 100 litros de óleo de fritura processados, 90 são transformados em biodiesel.
Seja para evitar o derrame de material nocivo em fossas e esgotos ou para obter matéria-prima para produção de biodiesel, a coleta do óleo de fritura é imprescindível para atender as necessidades sustentáveis do presente. Segundo a idealizadora do projeto, Cláudia Bejan, a iniciativa é mais que necessária para a preservação da saúde dessa geração e das gerações futuras. “O óleo de fritura é, no meio ambiente, totalmente prejudicial ao seres vivos. Além de impedir a oxigenação da água, ele provoca o entupimento de fossas e esgotos, que enchem durante períodos de chuva, trazendo doenças para a população, polui rios e solos e provoca a morte de animais aquáticos. Para que isso não aconteça, não se deve descartar o óleo”, alerta a pesquisadora.
Proposta – A necessidade da conscientização da sociedade em relação aos cuidados com o óleo de fritura chamou a atenção da Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco. Durante a solenidade de encerramento do projeto-piloto da professora Cláudia Bejan, surgiu, da secretaria, o convite de levar o trabalho para outras escolas da rede pública do Estado. A implantação do projeto está sendo estudada pela pesquisadora da UFRPE.

Fonte:
UFRPE
Para mais informações: 3320.6371 (Departamento de Química).

26 de janeiro de 2009

Estudo sobre impactos da cana em 2008

Pesquisadores percorreram oito Estados brasileiros para registrar os impactos do monocultivo canavieiro. Relatório “O Brasil dos Agrocombustíveis – Cana 2008” denuncia conflitos trabalhistas, ambientais, sociais e fundiários.
Na safra em que o otimismo generalizado no setor sucroalcooleiro foi substituído pelo receio quanto ao futuro, quem “pagou o pato” foram os empregados rurais, cujas condições de trabalho e de remuneração, já distantes do ideal, precarizaram-se ainda mais. Essa é uma das avaliações apresentadas pelo relatório “O Brasil dos Agrocombustíveis – Cana 2008 – Impactos das lavouras sobre a terra, o meio e a sociedade”, do Centro de Monitoramento de Agrocombustíveis (CMA) da ONG Repórter Brasil. Para fazer o estudo, pesquisadores do CMA percorreram oito Estados: Acre, Alagoas, Pernambuco, Bahia, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e São Paulo. Em todas as regiões, identificaram in loco os impactos causados pela expansão canavieira, além de entrevistar trabalhadores, empresários, administradores públicos, pesquisadores e moradores. A área de cana no país aumentou 14,2% em 2008, para 7,01 milhões de hectares.
Do ponto de vista do trabalho, os empregados em atividades canavieiras, em especial os cortadores, viveram um ano difícil. Ao passo que a cesta básica no Estado de São Paulo subiu 16,1% em 2008, usinas reajustaram salários em torno de 7%, de acordo com a Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo (Feraesp). A perda do poder de compra levou muitos trabalhadores a promoverem greves, que se generalizaram na porta das usinas da região de Ribeirão Preto (SP), um dos maiores pólos canavieiros do país, ao longo do segundo semestre de 2008.

A piora das condições de renda agravou ainda mais o quadro de superexploração do trabalho existente no setor sucroalcooleiro, cuja face mais visível é o aumento de produtividade registrada pelo trabalhador do corte da cana. Desde 2000, a produtividade do cortador cresceu 11,9% no Estado de São Paulo, enquanto o preço da tonelada paga a ele aumentou menos, 9,8%, no mesmo período.

Em 2008, o setor sucroalcooleiro também continuou liderando o ranking do número de libertados do trabalho escravo no Brasil: foram 2.553 (49%) libertados entre o total de 5.244 trabalhadores, ante 1.026 (20%) libertados na pecuária e 720 (14%) em outras lavouras, conforme dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT). A última atualização da “lista suja” de empregadores flagrados com trabalho escravo, divulgada em dezembro pelo Ministério do Trabalho e Emprego, traz o nome de pelo menos sete fazendas de cana ou companhias sucroalcooleiras, localizadas nos Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Ceará.

Do ponto de vista ambiental, o relatório aponta impactos diretos e indiretos causados pela expansão canavieira. Entre 2007 e 2008, a área de cana destinada ao setor sucroalcooleiro avançou, trazendo ameaças para áreas de Cerrado, de Mata Atlântica, da Amazônia e até da Caatinga. Estudos do Ministério do Meio Ambiente e de diversos centros de pesquisa denunciam os riscos trazidos pela cana à biodiversidade, aos recursos hídricos e à qualidade do ar em diversos Estados brasileiros, o que minimiza as vantagens trazidas pela queima do etanol em relação à gasolina em veículos automotores.

Em 2008, o setor sucroalcooleiro foi o campeão de multas mais elevadas – acima de R$ 15 mil – em São Paulo, motivadas por emissão de poluentes em desacordo com a legislação. No Mato Grosso do Sul, o Pantanal se vê ameaçado nos últimos anos pela expansão dos canaviais, que também afeta diretamente os povos indígenas encurralados da região.
A pesquisa também registra casos de exploração de trabalhadores no Nordeste. Em Alagoas, uma força-tarefa do Ministério Público do Trabalho (MPT) esteve em 15 grandes usinas do Estado e constatou irregularidades que atingiram mais de 20 mil trabalhadores em 14 delas. Local de históricos conflitos entre usineiros e movimentos sociais, Pernambuco também foi cenário de crimes ambientais cometidos por usinas de açúcar e álcool.

Em grande parte responsável pela dizimação da Mata Atlântica nordestina, a cana ganhou fôlego com incentivos estaduais e novos empreendimentos. As usinas, porém, raramente cumprem a legislação ambiental de áreas de proteção permanente e reservas legais. Ao longo do ano, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) multou todas as 24 usinas em Pernambuco com base nesses crimes.

Áreas da Amazônia também foram visitadas para a confecção do relatório. O zoneamento ecológico e econômico da cana, prometido pelo governo federal como forma de evitar o avanço da monocultura em substituição às florestas, não foi concluído em 2008. A despeito de ainda não representar uma cultura muito difundida na região, o caso da Fazenda e Usina Pagrisa deixou um legado simbólico. Em junho de 2007, mais de mil pessoas foram encontradas em condições análogas à escravidão na propriedade em Ulianópolis (PA), na maior libertação de trabalhadores já realizada pelo grupo móvel de fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

O relatório do CMA sobre os impactos da cana-de-açúcar no Brasil é mais um da série "O Brasil dos Agrocombustíveis", que já possui análises sobre soja, mamona, dendê, algodão, milho e pinhão-manso. Ao longo de 2009, novos relatórios de impacto serão produzidos sobre essas culturas, com o objetivo de avaliar a evolução das práticas trabalhistas e ambientais nas lavouras de culturas utilizadas para a produção de agrocombustíveis no Brasil.

A íntegra do relatório está disponível no link
Biblioteca Livre do BLOG do IDEAS

Contato com a imprensa
Marcel Gomes (coordenador da pesquisa) – (11) 2506-6570 (ramal 2) ou (11) 8127-2235
Verena Glass Centro de Monitoramento de Agrocombustíveis Reporter Brasil www.reporterbrasil.org.br (11) 2506-6562

17 de dezembro de 2008

Panorama da Fome na América Latina e Caribe: aumento dos preços dos alimentos e crise financeira desfazem 15 anos de avanços

A região teve êxito na luta contra a fome entre 1990 e 2005, mas a crise finaceira e o aumento dos preços causaram um retrocesso.

O aumento dos preços dos alimentos somado à crise financeira colocam em risco os avanços conseguidos pela América Latina e Caribe e a luta contra a fome desde 1990, alertou a FAO.
Na quarta-feira (10), durante o Dia Internacional dos Direitos Humanos, o Representante Regional da FAO para América Latina e Caribe, José Graziano da Silva, lamentou que o direito à alimentação ainda esteja ausente da vida de 963 milhões de pessoas ao redor do mundo.
"Infelizmente não entregamos números compatíveis com o que se celebra essa data. Ainda pior, retrocedemos nas metas que nós mesmos havíamos estabelecido, de reduzir pela metade o número pessoas com fome e vivendo em pobreza extrema no mundo até 2015", disse Graziano durante o lançamento do Panorama da Fome na América Latina e Caribe.
Segundo a publicação, entre 1990 e 2005, América Latina e Caribe diminuíram o número de pessoas com fome de 52,6 milhões para 45,2 milhões. Nesse período, os maiores avanços foram conseguidos na América do Sul, onde a população subnutrida caiu de 35,5 milhões a 28,8 milhões. Na América Central, houve uma redução de 5,5 milhões até 5,4 milhões, enquanto que no Caribe houve um pequeno aumento de 7,5 milhões a 7,6 milhões.
No entanto, o aumento dos preços dos alimentos aumentou para 51 milhões o número de pessoas que passavam fome em 2007. É provável que esse número tenha subido ainda mais em 2008 por causa dos preços dos alimentos, que continuaram subindo nos primeiros meses do ano, e da crise econômica.
Políticas públicas podem diminuir o impacto da crise - Ainda que a região e o mundo enfrentem uma situação complicada, o Representante Regional disse que a ação dos governos pode mitigar os efeitos da crise na segurança alimentar.
"Ainda existe tempo para os governos tomarem medidas para evitar que se concretize uma crise anunciada", afirmou Graziano, acrescentando que os governos deveriam ampliar o alcance das políticas sociais que muitos deles já colocaram em marcha.
Essas ações, destacadas no Panorama da Fome, incluem o reforço das redes produtivas e de segurança social, enquanto se formulam políticas que favoreçam a expansão da disponibilidade de alimentos no médio e longo prazo, através de investimentos em infra-estrutura rural e na agricultura.
Pelo lado da produção, as intervenções que melhorem a produtividade e o acesso a mercados de agricultura familiar de população rural pobre são chaves. Em países como Brasil, Chile, Colômbia, Equador e México, por exemplo, a participação desse setor na produção total agrícola varia entre 30% e 70%.
Informações
Panorama da Fome na América Latina e Caribe 2008:
Escritório Regional da FAO Lucas Tavares(56 2) 923 2176RLC-Prensa@fao.org
Representação da FAO no Brasil Isabela Dutra(55 61) 3038 2270isabela.dutra@fao.org
Fonte: Escritório Regional da FAO para América Latina e Caribe

11 de dezembro de 2008

Agricultura familiar e consumo de alimentos

O Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural (Nead) do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) promoveram, nos dias 4 e 5 de dezembro, oficina sobre o projeto de pesquisa "O perfil do consumo de alimentos e a geração de oportunidades para a agricultura familiar: uma análise das Regiões Metropolitanas de Recife e Belém".
Participaram da atividade, além do Dieese e Nead, representantes da Secretaria de Agricultura Familiar (SAF/MDA); da Secretaria de Desenvolvimento Territorial (SDT/MDA); da Companhia Nacional de Abastecimento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Conab/Mapa); e do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS).
O projeto, que está em construção, irá viabilizar pesquisas que possam dar subsídio ao planejamento de ações para fortalecer o mercado interno de alimentos em Pernambuco e no Pará. "A idéia é, por meio do trabalho conjunto entre gestores e analistas de bases de dados, integrar as questões de produção e do consumo, analisando-as do ponto de vista territorial e do desenvolvimento local", explica Lilian Arruda Marques, assessora da Direção Técnica do Dieese.
A oficina teve início com uma apresentação do Dieese sobre o funcionamento da Pesquisa de Orçamentos Familiares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (POF/IBGE). Foram analisadas as possibilidades da POF 2002/2003, que trouxe inovações como o estudo dos rendimentos e despesas não-monetários das famílias, dado importante quando se fala do meio rural (Nas áreas rurais, a parcela não-monetária - trocas, doações etc. - dos rendimentos é a segunda maior (23,3%), atrás dos rendimentos do trabalho (53,4%) e à frente das transferências (16,2%), entre outras).
O coordenador-geral do Nead, Carlos Guedes, fez uma apresentação sobre as possibilidades de análise do Censo Agropecuário, comentando como suas variáveis podem ser trabalhadas, tendo como foco os Territórios da Cidadania. Estão previstos diversos estudos em parceria com pesquisadores e centros de pesquisa e ensino brasileiros. Entre os temas a serem investigados, estão: estrutura fundiária a partir dos territórios; concentração de assentamentos e elementos de identidade e mobilidade social; o impacto das políticas públicas nos Territórios da Cidadania; questões de gênero; ambiente de mercado; educação nos assentamentos; expansão da monocultura e commodities agrícolas. "Estamos animados com o potencial da montagem dessa rede de pesquisadores, que vai nos permitir integrar os estudos de várias instituições aos dados do Censo", declarou Guedes.
Ainda foram apresentadas as possibilidades dos Registros da Conab/Mapa; do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf/SAF/MDA); e do Sistema de Informações Territoriais (SIT/SDT/MDA).
Fonte: Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural

9 de dezembro de 2008

Aproveitar a crise para mudar o modelo

Edélcio Vigna*

No turbilhão de crises simultâneas, as populações dos países em desenvolvimento ou pobres são as mais impactadas. O crédito, já escasso, se torna inacessível. O custo de produção se eleva e os preços de venda dos produtos caem. Plantar é desestimulante, colher é prejuízo. As populações urbanas reclamam diante das prateleiras dos supermercados, que elevam seus lucros.
As grandes empresas varejistas obtiveram altos lucros com a venda de alimentos. A Wal-Mart lucrou US$ 4,1 bilhões em 2007; o Carrefour (francesa) teve um lucro de 1,9 bilhão de euros; a Monsanto saltou de um lucro de US$ 255 milhões em 2005 para US$ 993 milhões em 2007; e a ADM (Archer Daniels Midland Company), uma das maiores processadoras agrícolas do mundo, atingiu a marca de US$ 1 trilhão em 2008. .
A Conferência de Alto Nível sobre Segurança Alimentar, realizada este ano pela FAO, em Roma, reconheceu a necessidade de uma intervenção mássica de recursos para equilibrar produção e preços. Mas quase nada foi feito. O mercado continua desregulamentado; as holdings, imperando sobre (e com) os Estados. .
As crises se acumularam de tal forma que é necessário fazer um passo-atrás para recuperarmos a noção de onde estamos. Vamos retornar à década de 90, lembrar do surgimento da Nasdaq  a Bolsa de Valores da Informática -, criada para negociar as ações das empresas de novas tecnologias que brotavam como cogumelos nas garagens e porões norte-americanos. Esse novo espaço de reprodução do capital atraiu, das bolsas tradicionais, os acionistas arrojados que gostam de investimentos de alto risco. Esse deslocamento de capitais foi criando ao longo da década a bolha da informática. No início da década, a Nasdaq dispunha de ações de cerca de 1.100 empresas; no final da década, saltou para mais de 5 mil. Quando a bolha estourou, em 2001, sobraram pouco mais de mil empresas. Voltou ao patamar dos anos noventa. .
Pouco antes do estouro da bolha da informática os grandes investidores redirecionaram seus capitais para a Bolsa de Chicago, que trabalha com o mercado futuro de grãos. Ocorre que o mercado agrícola internacional só foi despontar como um espaço de reprodução acelerada do capital nos meados dos anos noventa, quando lançou seu site na internet. Esse processo linear está sendo esboçado para efeito pedagógico, pois em realidade é descontínuo e, muitas vezes, simultâneo. .
Os investidores começaram a se interessar pelas commodities agrícolas quando perceberam o caráter inversamente proporcional que esses contratos possuem em relação às ações tradicionais. Os preços das ações tradicionais caem quando as empresas entram em crise; já os preços das commodities sobem quando falta produto no mercado. Esse detalhe despertou os investidores que começaram a aplicar nos contratos do mercado de futuro. A estratégia dos especuladores é evitar a entrada de produtos no mercado real para que os preços virtuais subam. Assim, chegamos ao mecanismo disparador da crise dos preços das commodities agrícolas no mercado internacional. .
O investimento das grandes empresas agroalimentares na Bolsa de Chicago fez com que a circulação de capitais saltasse de US$ 20 bilhões em 2002 para US$ 110 bilhões em 2006, US$ 170 bilhões em 2007 e US$ 240 bilhões no início deste ano - um aumento de 1100% em seis anos! .
Neste período de aumento dos preços dos contratos e de grandes ganhos financeiros, sob a sombra da fome de países inteiros, o capital tomou diversos rumos, entre eles a compra de terras nos países em desenvolvimento, a criação de mega-oligopólios verticalizados na cadeia agroalimentar e a inversão em novas formas alternativas de energia como o agrocombustível, entre outros setores. .
Quando os estoques internacionais de alimentos começaram a despencar e o preço das commodities ficou inacessível, tornou-se evidente que a bolha alimentar ia explodir. Os primeiros a sentirem os efeitos da crise foram os agricultores familiares, que sofreram o impacto da alta dos preços dos insumos petroquímicos e das sementes. Em seguida, os consumidores que se quedaram atônitos diante das prateleiras dos supermercados. .
À medida que os lucros recordes eram batidos no mercado agroalimentar percebia-se que a bolha estava chegando ao seu limite. Os grandes investidores, que têm faro de Tiranossauro Rex e informações privilegiadas, pularam para as ações imobiliárias antes de a bolha alimentar estourar. E, creiam, saltaram daquela antes da crise financeira. Após a crise dos alimento veio a crise do mercado imobiliário com o colapso do Lehman Brother, seguido do Merril Lynch e a AIG, que desencadeou o efeito dominó atingindo a Europa. No rastro dessa onda veio o bloqueio do crédito e a forte sensação de insegurança financeira e insegurança alimentar global. .
Nos EUA tem início a execução hipotecária de mais de um milhão de residências. Juntos, Reino Unido, Espanha e França demitem 10 mil por dia. Na Espanha 1,2 mil perdem emprego por dia. As vendas de veículos despencam em 27% nos EUA. A saúde das bolsas oscila semelhante a doentes terminais. Os preços dos alimentos no mercado internacional estacionaram em um patamar elevado e ainda são acrescidos pelo preço dos transportes. O número de pessoas subnutridas eleva-se para cerca de 950 milhões. Na América Latina e no Caribe esse número avança para 51 milhões. .
O G20 reuniu-se em Washington, mas nenhum país se assumiu como pivô da crise. As decisões esbarraram na retórica de dar mais transparência e responsabilidade aos atores financeiros (os mesmo que causaram a crise) e na intenção de reforçar a regulação dos mercados (que o neoliberalismo desmontou nas últimas três décadas) e reduzir as práticas de risco no sistema financeiro (que nenhum banqueiro se prestará a fazer). O mais risível foi o resgate do Fundo Monetário Internacional (FMI) como supervisor do sistema financeiro global, depois que levou à falência diversos países pobres e em desenvolvimento, com a orientação de liberalização dos mercados nacionais. .
As crises ainda não foram superadas, porque é sistêmica e estrutural, e deverão vir em ondas. Diante destes impactos, a democracia deve ser defendida de qualquer solução de força. O governo brasileiro tem a responsabilidade de orientar a população e desenvolver programas para amortizar os choques financeiros e alimentares que virão. A base exportadora deve ser diversificada com maior oferta de bens industriais e de serviços. .
A crise é uma chance para alterar o modelo de produção agrícola e abandonar o uso dos insumos petroquímicos e das sementes transgênicas. As cadeias agroalimentares devem ser libertadoras e não os grilhões dos agricultores. Os programas para a agricultura familiar devem ganhar a centralidade do modelo a fim de produzir mais alimentos. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) deve ser reestruturada e os estoques públicos de alimentos repostos e escoados no mercado para controlar o preço e evitar a especulação. O governo deveria desenvolver um programa de desenvolvimento tecnológico para o biodiesel com o mesmo tempo de maturação do programa Proálcool. Por fim, a política de produção de etanol deveria ser prioritariamente para uso interno, com controle social. .
Edélcio Vigna é assessor do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) e membro do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea).

23 de agosto de 2008

Prêmio Margarida Alves de Estudos Rurais e Gênero

Estão abertas as inscrições para o Prêmio Margarida Alves de Estudos Rurais e Gênero cuja proposta é estimular a produção de pesquisas no campo das Ciências Sociais, Humanas e Agrárias, além de registrar experiências e memórias das trabalhadoras rurais e contribuir para a formulação de políticas públicas, por meio do desenvolvimento do pensamento crítico e prático a respeito do tema da trabalhadora rural. O prêmio é composto por quatro modalidades: ensaio acadêmico (inscrições até 31 de setembro); pesquisa-ação (inscrições até 31 de outubro), memória e acervo (inscrições até 31 de outubro) e pesquisa em nível de pós-graduação (edital será lançado pelo CNPq). As propostas deverão abordar as relações de gênero e desenvolvimento rural sustentável e solidário nos seguintes contextos: agricultura familiar; reforma agrária; comunidades tradicionais; políticas públicas; movimentos sociais; meios de comunicação comunitários; educação básica, fundamental e ensino superior; direitos sexuais e reprodutivos; meio ambiente e agroecologia; e violência contra a mulher. A iniciativa é promovida pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário [MDA], por meio do Programa de Promoção da Igualdade de Gênero, Raça e Etnia [PPIGRE], do Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural [NEAD], do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária [INCRA], por meio da Coordenação-Geral de Educação do Campo e Cidadania da Diretoria de Desenvolvimento de Projetos de Assentamento; e em parceria com a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres [SPM], o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico [CNPq/MCT], a Associação Brasileira de Antropologia [ABA], a Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciências Sociais [Anpocs], a Sociedade Brasileira de Sociologia [SBS] e movimentos sociais de mulheres trabalhadoras rurais (CNMTR/Contag, MMC, MMTR/NE, MIQCB, FETRAF-Brasil, SME/CNS, Setor de Gênero/MST, Setor de Gênero/MPA). Margarida Alves nasceu em 5 de agosto de 1943, em Alagoa Grande, na Paraíba. Em 1973, foi eleita presidente do Sindicato Rural local, função que exerceu sucessivamente até 1982. A sindicalista defendia os direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras do campo, pelo décimo terceiro salário, o registro em carteira profissional, a jornada diária de oito horas e as férias obrigatórias. Foi uma das fundadoras do Centro de Educação e Cultura do Trabalhador Rural, cuja finalidade é, até hoje, contribuir no processo de construção de um modelo de desenvolvimento rural e urbano sustentável, a partir do fortalecimento da agricultura familiar. Sua atuação e liderança produziram grande repercussão, atraindo o ódio de latifundiários locais. Em 12 de agosto de 1983, Margarida Alves foi covardemente assassinada com um tiro no rosto, na frente de seu filho de 10 anos de idade. Dos cinco acusados de serem os mandantes do crime, apenas dois foram julgados e absolvidos. Mais informações podem ser obtidas pelos telefones (61) 2191-9869, (61) 2191-9845 ou (61) 2191-9849 e, ainda, por e-mail premiomargaridaalves@mda.gov.br ou no site www.mda.gov.br.

6 de agosto de 2008

A fome segundo Josué

Rosana Magalhães

"A fome se revelou espontaneamente aos meus olhos nos mangues do Capibaribe, nos bairros miseráveis do Recife", escreveu Josué. Ele foi médico, professor, sociólogo e escritor. Se vivo estivesse, completaria 100 anos em setembro. O pernambucano Josué de Castro foi o primeiro pensador a refletir sobre a natureza e a complexidade das diferentes formas de privação alimentar no país. Não por acaso, o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), órgão do qual ele é patrono, deslocará sua reunião plenária, em setembro, de Brasília para Recife, cidade onde nasceu Josué  em evento que deverá contar com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

As idéias de Josué, já no início do século passado, uniram os avanços da bioquímica e da fisiologia, ultrapassaram as fronteiras das disciplinas biomédicas e introduziram categorias analíticas ligadas à sociologia, geografia, antropologia e economia. O descompasso entre as condições salariais e as necessidades alimentares dos trabalhadores o motivou a refletir sobre o papel do Estado e das políticas de governo. Ele associou a fome aos dilemas da construção da nação, do Estado e do desenvolvimento econômico e social.

Hoje, 100 anos depois do nascimento e 35 anos após sua morte, a miséria e a pobreza apresentam novos contornos, novas perspectivas de intervenção pública. A fome continua tema prioritário e exigência política no Brasil, que ainda não conseguiu erradicar a indigência (a incapacidade de obter a renda necessária para a garantir a mera sobrevivência física).

Hoje, no entanto, diferentemente da realidade dos anos 30, 40 e 50, analisados por ele, o quadro de miséria e fome tornou-se mais complexo, mais urbano e segmentado - a partir das clivagens de gênero, etnia, escolaridade e inserção ocupacional. À medida que o Brasil exibe recordes de produção agrícola e um PIB per capita que o insere entre os países mais ricos do mundo, nossos maiores limites para equacionar a fome estão ligados à questão das prerrogativas e dos direitos de cidadania. Ainda assim, ao formular um conceito de desenvolvimento que não é puramente econômico, mas que remete aos dilemas da integração e a emancipação humana, a obra mantém uma proximidade inquestionável com o debate atual em torno das políticas sociais e da cidadania. Estar bem nutrido para Josué de Castro é, antes de mais nada, uma exigência ética.

Sobre as opções políticas para a solução da fome e da miséria, Josué também nos ensinou a recusar o assistencialismo e a fragmentação das ações e evitar a perpetuação de programas setoriais que não buscam a convergência em torno de resultados comuns. Neste sentido, o esforço de fazer dialogar as diferentes agendas das políticas públicas, possibilitar novos arranjos de governança, incluindo múltiplos atores, instituições e grupos sociais em torno da questão da Segurança Alimentar, atualiza e expande a obra e o pensamento de Josué de Castro.

Rosana Magalhães é Nutricionista, pesquisadora titular da Fundação Oswaldo Cruz

Artigo publicado nos jornais Folha de Boa Vista (30/07/2008) e Meio Norte (31/07/2008)

29 de julho de 2008

As Cartas Finais

A Rodada de Doha da OMC está chegando ao fim. Não passará de quarta-feira, prometem os negociadores dos países presentes em Genebra/Suíça. Ainda esta semana o mundo mercantil saberá quais serão as novas regras do mercado internacional. Os mercados internos e as políticas públicas sofrerão impactos diversificados. Os países desenvolvidos avançarão, provavelmente, sobre os em desenvolvimento, agora sob a proteção de uma legislação internacional. No século XVII, o capital mercantil, utilizou a cruz e a espada. No século XX, os países industriais, utilizaram o mito do desenvolvimento financiado pelo FMI. No século XXI, os países transnacionalizados, vão utilizar as leis da Organização Mundial do Comércio. Caso essa Rodada fracasse, novos passos serão ensaiados até que se produza uma legislação supranacional. O jogo desta Rodada está chegando ao fim, mas a construção do mercado internacionalizado está no início.

Fonte:

Instituto de Estudos Socioeconômicos - INESC
SCS - Qd. 08 Bloco B-50 Salas 433/441 Edifício Venâncio 2.000 70.333-970
Brasília/DF BRASIL Tel: 55 (61) 3212.0200 Fax: 55 (61) 3212.0216
protocoloinesc@inesc.org.br - www.inesc.org.br

16 de julho de 2008

Olinda será comtemplada pelo ICMS Verde

A partir de 2009, a Prefeitura de Olinda passará a receber do Governo do Estado uma participação do ICMS Verde, que premia os municípios por ações em defesa da cobertura vegetal, da preservação da água e pelo tratamento do lixo. O município foi um dos 22 contemplados entre as 184 cidades pernambucanas que realizam ações sócio-ambientais.
Um dos fatores que garantiram a Olinda a participação na quota do ICMS Verde, foi o trabalho realizado pela Prefeitura Municipal, desde 2004, no aterro de Aguazinha. O local foi beneficiado com serviços de cobertura do lixo com barro e geometrização. Também foram realizados trabalhos de drenagem de gás, chorume e água pluvial, cobertura vegetal, iluminação e recuperação do muro e das vias de acesso.
O ICMS verde é um repasse feito para os municípios por meio o Fundo Municipal do Meio Ambiente. Ele é um redirecionamento do ICMS normal que o Pernambuco já arrecada. Do total arrecadado pelo Estado, 75% ficam com o Governo Estadual e 25% são repassados para os municípios. Desses 25%, uma quota de 2% é destinada ao repasse do ICMS Verde.
Fonte: Site PMO
por Mylene Bárbara
16/07/2008

25 de junho de 2008

AJE Recife encaminha Projeto de Lei à Câmara

A Associação de Jovens Empresário de Pernambuco (Aje Recife) encaminhou aos deputados estaduais Luciano Moura (PCdoB) e Augusto César Filho (PTB), o Projeto de Lei da Semana Pernambucana do Empreendedorismo Jovem. Segundo o presidente da entidade, Carlos Rocha, os mesmos declararam apoio e se comprometeram a encaminhar até o dia 16 deste mês, o PL que institui a Semana em Pernambuco.
“Adicionalmente, tratamos com ambos uma proposta que trata à elaboração de uma emenda para a Constituição do Estado de Pernambuco, no que tange o empreendedorismo na educação, cultura, ciência e tecnologia. Os mesmos se mostraram igualmente interessados em encaminhar a proposição de Emenda Constitucional sobre o assunto”, explica Rocha.
“Acreditamos que, com estas ações, estamos em terreno fértil para consolidar e ampliar a representatividade do movimento de jovens empreendedores em Pernambuco”, finaliza o presidente.

9 de junho de 2008

ESTUDO REALIZADO PELA FGV PREVÊ FIM DAS FAVELAS ATÉ 2030


O Brasil poderá, em 22 anos, acabar com as favelas e o déficit habitacional de7,9 milhões de moradias caso mantenha os índices atuais de investimentos no setor. Estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pela consultoria Ernest & Young projeta investimentos de R$ 446,7 milhões na área até 2030. Para zerar o déficit, composto por moradias inadequadas e coabitação (mais de uma família na mesma casa) e atender a demanda que surgirá com o aumento da população, o estudo projeta a construção de 37 milhões de novas residências. O crédito para financiamentos chegará a R$ 290,4 bilhões no período. "O déficit por inadequação de moradia seria extinto e restariam algumas coabitações, mas por opção", diz Ana Maria Castelo, consultora da FGV. Segundo ela, as projeções do estudo levam em conta o crescimento anual de mais de 4% do Produto Interno Bruto (PIB), a queda dos juros para financiamentos e o crescimento populacional, entre outras variáveis. A maior parte das moradias será destinada a famílias com renda mensal de R$ 2 mil a R$ 4 mil. Ana Maria ressalta que a renda dos trabalhadores também deve aumentar nos próximos anos, por isso haverá menor necessidade de habitações para faixas salariais de até R$ 1 mil. O Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) e diversas outras entidades ligadas à questão habitacional não confiam nessas projeções. Acreditam que apenas com subsídios governamentais será possível reduzir o déficit de moradias. No próximo dia 18, o grupo apresentará ao Congresso Nacional proposta de emenda constitucional para garantir recursos ao financiamento de casas populares, para famílias com renda entre um e quatro salários mínimos (R$ 415 a R$ 1.660). "Mais da metade do déficit habitacional está nessa faixa e o boom de construções verificado atualmente não engloba essas famílias", diz Miguel Sastre, membro do Núcleo de Habitação Popular do Sinduscon. O grupo, formado por movimentos pró moradia, associações de empresas do setor e centrais sindicais, entre outros, propõe que sejam destinados ao subsídio da compra da casa própria 2% de toda a arrecadação da União e 1% das arrecadações do Estados e municípios. As famílias beneficiadas também entrariam com uma parte do financiamento.

Fonte: Agência Estado
Da redação HOTlink

16 de maio de 2008

Nível de ocupação decresce

As informações captadas pela Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) na Região Metropolitana do Recife (RMR) – realizada pelo DIEESE e Fundação SEADE – mostram que a taxa de desemprego total aumentou de 18,9% da População Economicamente Ativa, em fevereiro, para 19,8%, em março. Esse comportamento decorreu da elevação das taxas de desemprego aberto, que passou de 11,7% para 12,3% no período, e de desemprego oculto, de 7,2% para 7,5% (Gráfico 1). O contingente de desempregados foi estimado em 326 mil pessoas.

28 de março de 2008

Banco Azteca chega a Pernambuco


Esta quinta-feira (27), Olinda foi palco da comemoração da chegada do Banco Azteca a Pernambuco. A instituição é uma das oito empresas do grupo mexicano Salinas e terá sua primeira filial inaugurada no Recife. O banco será instalado no interior da loja Elektra, uma das maiores no ramo de eletrodomésticos na América Latina. Para a festa de lançamento, foi preparada uma programação especial, que começa às 16h, com Cortejos das agremiações Flor da Lira, Maracatudo, Clube Vassourinhas, Maracatu Piaba de Ouro, Bonecos Gigantes e Maracafrevo. Os grupos irão sai de diversos pontos do Sítio Histórico e se encontrão na frente da sede da prefeitura. Logo depois, às 18h, o público poderá conferir, em um palco armado na frente aa prefeitura, os shows da Orquestra Spok de Frevo com os convidados, Almir Rouche, André Rio e Silvério Pessoa. Em seguida, a partir das 20h, o grupo mexicano Los Mariaches e Alceu Valença sobem ao palco para encerrar a noite. A unidade Recife fica localizada na Avenida Beberibe, n° 1979, Água Fria e será mais uma das licenças de operação bancária que o grupo consegue fora do México. O grupo já oferece serviços financeiros e bancários no Panamá, na Guatemala, em Honduras e em El Salvador. A vinda do banco para cidade de Olinda traz para os pernambucanos crédito a um custo inferior que os juros médios do mercado

Segundo a prefeita de Olinda, Luciana Santos, a entrada do banco no país tem o objetivo de oferecer crédito acessível ao mercado popular. "A instalação de uma sede em Recife e outra em Olinda vai contribuir para elevar o padrão de vida das classes média e baixa de Pernambuco”, completa.

O Banco - O Banco Azteca foi criado em 2002 e está ligado à rede mexicana de varejo Elektra que é uma das empresas do grupo Salinas. No México, o banco tem aproximadamente cinco milhões de correntistas e a maioria de suas agências funciona dentro das lojas Elektra atendendo 70% da população que não tem conta corrente nos demais bancos comerciais mexicanos.

O Azteca é o terceiro maior banco mexicano em número de agências, 1.400 unidades. A instituição tem 15 milhões de clientes e patrocinou a seleção de futebol do México na Copa do Mundo de 2006. No segundo semestre deste ano, sua carteira de crédito era de 20,7 bilhões de pesos mexicanos (R$ 3,6 bilhões), 15% acima do valor obtido no mesmo período do ano passado.


Por:


Mylene Bárbara
13h05 - 25/03/2008

27 de março de 2008

Classe C já é maioria da população brasileira

Expansão em 2007 resultou do aumento da renda nas classes D e E, mas uma parcela menor veio das classes A e B

Márcia De Chiara
Jornal O Estado de S. Paulo

A classe C já é a maioria da população. No ano passado, 46% dos brasileiros pertenciam a essa camada social, ante 36% e 34% em 2006 e 2005, respectivamente. Ela também foi a única que aumentou de tamanho no último ano. De 2006 para 2007, quase 20 milhões de pessoas ingressaram nesse estrato social, um número cinco vezes maior que no período anterior.A classe C reúne hoje 86,2 milhões de brasileiros com renda média familiar de R$ 1.062. A maior parte do contingente que engordou a classe C vem da base da pirâmide populacional, as classes D e E, perto de 12 milhões de pessoas. Outros 4,7 milhões vieram das camadas A/B, que perderam poder aquisitivo. O restante é proveniente do crescimento vegetativo da população.Isso é o que revela a pesquisa O Observador Brasil 2008, feita pela financeira francesa Cetelem com o instituto de pesquisas Ipsos Public Affairs. Na terceira edição da enquete, foram ouvidas 1.500 famílias em 70 cidades e nove regiões metropolitanas do País em dezembro de 2007. Os entrevistados foram classificados não só pela renda, mas também pelo nível educacional e pela posse de bens, este o item de maior peso.“O elevador social funcionou”, afirma Franck Vignard Rosez,diretor de Marketing e Novos Negócios da financeira. Ele atribui esse resultado a uma combinação favorável de fatores: crédito farto com prazos longos e juros menores, preços em queda dos bens duráveis, crescimento do emprego e os programas sociais que colocaram mais recursos no bolso das camadas que estão na base da pirâmide populacional.“O aumento expressivo da classe C nos surpreendeu”, diz o presidente da Cetelem no Brasil, Marc Campi. Segundo ele, em apenas um ano esse estrato social aumentou o equivalente a duas vezes a população de Portugal. Animado com os números, Campi conta que a financeira vai entrar no crédito de veículos neste ano e avalia a estréia no crédito imobiliário mais para frente. Apesar do entusiasmo, ele pondera que, se os prazos dos financiamentos forem reduzidos e os juros subirem, a mobilidade social acelerada das camadas de menor renda poderá perder fôlego.De acordo com o estudo, “o bem-estar da sociedade brasileira passa por uma pequena revolução”. Com o grande número de pessoas que migrou da classe D/E para a classe C, quase dobrou a renda média mensal familiar dessa população no último ano, de R$ 580 para R$ 1.062. Apesar disso, a renda média familiar da classe C no último ano teve um ligeiro recuo, de R$ 1.162 para R$ 1.062. Segundo Rosez, isso ocorreu porque normalmente quando as pessoas ingressam numa outra classe a entrada ocorre pelas faixas salariais mais baixas, o que puxa a média de renda do estrato social para baixo.Outro dado positivo da pesquisa foi o aumento da renda disponível das classes C e D/E nos dois últimos anos. Em 2005, faltavam R$ 17 para o consumidor da classe D/E pagar as contas no fim do mês. No ano passado, sobraram R$ 22. Na classe C também houve ganho de renda. Em 2007, sobraram R$ 147, ante uma folga de R$ 122 em 2005. Já para a classe A/B a fôlego diminuiu de R$ 632 em 2005 para R$ 506 em 2007. A renda disponível é a que sobra após os gastos obrigatórios. A enquete mostra que o ritmo acelerado de consumo deve continuar este ano. Celular, computador, itens de decoração e a casa própria tiveram os maiores acréscimos na intenção de compra.

14 de julho de 2006

Religiosos se reúnem no 1º Encontro de Economia e Religiões

Representantes de espaços religiosos se reuniram para participar do 1º Encontro de Economia e Religiões, promovido pela Prefeitura de Olinda, através da Coordenadoria de Assuntos Religiosos. O evento teve inicio na manhã desta sexta-feira (14), no auditório Ribeira, no Centro de Convenções de Pernambuco.
Na ocasião estão sendo discutidas algumas possibilidades relacionadas à geração de renda para atender às entidades religiosas e suas necessidades, através da comercialização de artigos e ajuda de grandes e pequenos investidores. De acordo com a coordenadora de Assuntos Religiosos, Dina de Oliveira, as comunidades religiosas foram identificadas como espaços com potencial para promover ações geradoras de emprego e renda “, explicou.
Para alguns líderes religiosos como Adeildo Paraíso da Silva, popularmente conhecido por Pai Ivo da Oxum, a importância deste encontro está sendo a tentativa de tornar as casas de Matriz Africana auto sustentáveis, uma vez que “é notória a sua potencialidade econômica”.
O representante da 1ª Igreja Batista, em Bultrins, O Pastor Paulo César Pereira, diz que “o evento serve como ponto de encontro para o estreitamento de relacionamentos ecumênicos. Além de incentivar projetos que possam ser geradores de rendas”.
A iniciativa conta com o apoio do Centro de Acolhimento e de Inovação Empresarial de Olinda, que é fruto de um convênio de cooperação técnica da Prefeitura de Olinda e Studia Fórum de Guimarães – Portugal, em parceria com o SEBRAE.
Fonte:
PMO
Texto: Jamille Coelho
Foto: Passarinho
12h03 - 14/07/2006

Encontro de Economia e Religiões acontece nesta sexta em Olinda

O 1º Encontro de Economia e Religiões estará acontecendo nesta sexta-feira (14), à partir das 8h30 no auditório Ribeira, do Centro de Convenções, em Olinda. O evento, que é gratuito e tem realização da Prefeitura de Olinda e da Coordenadoria de Assuntos Religiosos, pretende desenvolver ações para incentivar a geração de renda para a auto-sustentação dos espaços religiosos.
Durante o encontro serão discutidas algumas possibilidades relacionadas à geração de renda para atender as entidades religiosas e suas necessidades, através da comercialização de artigos e ajuda de grandes e pequenos investidores.
De acordo com o secretário adjunto de Desenvolvimento Econômico, Irageu Fonseca, no encontro haverá exibição de painéis com experiências que deram certo em outros países. Além disso, serão realizados treinamentos de mão de obra para capacitação dos participantes.
Confira a programação completa: 8h30 – Abertura9h30 - Experiências européias no domínio da adaptação e utilização de edifícios históricos, religiosos e casas senhoriais para o turismo..Moderador: Paolo Motta Coordenador do Projeto PAGUS - América LatinaPalestrante: Manuel Ferreira Administrador-Delegado da Associação de Municípios do Vale do Ave (AMAVE) Guimarães, Portugal. Experiência em Portugal; Cidade de Narni, Itália; Cidade de San Tiago de Compostela, Galiza, Espanha10h - Debate11h30 Intervalo – Café11h45 - A Civilização do Açúcar no NordestePalestrante: Felipe Dantas-SEBRAE12h10 - Debate12h30 - Intervalo Livre para almoço14h - O Empreendedorismo, a formação e a cultura, no processo de revitalização social e econômica, em cidades patrimônio da Humanidade.Moderador: Oswaldo Lima Neto Secretário SEPLAMA/PMOPainel I - Uma proposta para a criação do Centro de Acolhimento e Inovação Empresarial em Olinda (CAIE) - Emanuel Leite, Pós-Doutor em Empreendedorismo.Painel II - A experiência da STUDIAFORM em dinâmicas de apoio ao desenvolvimento local - Jerônimo Silva - Guimarães, Portugal.Painel III - Ponto de Cultura Religioso Sr. Adeildo Paraíso da Silva16h - Intervalo – Café16h15 - Oportunidades de novas iniciativas geradoras de proventos, e possibilidades de fomento e de negócios, na criação e comercialização de artigos diversos de interesse local e turístico - Artigos religiosos (livros, CDs, imagens, velas, bijuterias, ervas, artesanato, etc.). Moderador: Irageu Fonseca - Secretário Adjunto de Desenvolvimento EconômicoPainel I - Palestrante: Manuel Ferreira AMAVE, Portugal Uma iniciativa, em preparação, na cidade de Guimarães, para a criação de uma cooperativa de prestação de serviços no domínio da produção e comercialização de bens musicais e religiosos de interesse turístico. Painel II - A formação profissional no processo do desenvolvimento turístico - Albino Ferreira COMPENDITUR Guimarães, Portugal. Painel III Fomentos e Negócios e agentes de financiamento - Sami Paiva - Secretário de Desenvolvimento Econômico18h Conclusão dos trabalhos e Encerramento.


Publicado em 14.07.2006, às 08h45 Jornal do Comércio

12 de julho de 2006

Olinda sedia 1º Encontro de Economia e Religiões


A Prefeitura de Olinda, através da Coordenadoria de Assuntos Religiosos, realiza nesta sexta-feira (14), o 1º Encontro de Economia e Religiões. O evento acontece no auditório Ribeira, no Centro de Convenções de Pernambuco, a partir das 8h30. A entrada é franca.

O objetivo da coordenadoria é desenvolver ações que incentivem a geração de renda para a auto-sustentação dos espaços religiosos. De acordo com a coordenadora de Assuntos Religiosos, Dina de Oliveira, Olinda é uma cidade que enfrenta o desafio de promover o desenvolvimento econômico e social de seus habitantes. “Identificamos as comunidades religiosas como espaços com potencial para promover ações geradoras de emprego e renda”, explicou.

Durante o encontro serão discutidas algumas possibilidades relacionadas à geração de renda para atender as entidades religiosas e suas necessidades, através da comercialização de artigos e ajuda de grandes e pequenos investidores. Segundo Dina, os espaços religiosos ainda não oferecem livros, medalhas, imagens, guias, velas, entre outros artigos.

Inicialmente, a Prefeitura vai incentivar elaboração de projetos para atrair investidores. De acordo com o secretário adjunto de Desenvolvimento Econômico, Irageu Fonseca, no encontro haverá exibição de painéis com experiências que deram certo em outros países. Além disso, serão realizados treinamentos de mão de obra para capacitação dos participantes.

A iniciativa conta com o apoio do Centro de Acolhimento e de Inovação Empresarial de Olinda, que é fruto de um convênio de cooperação técnica da Prefeitura de Olinda e Studia Fórum de Guimarães – Portugal, em parceria com o SEBRAE.

PROGRAMAÇÃO
08h30 - Abertura0
9h30 Experiências européias no domínio da adaptação e utilização de edifícios históricos, religiosos e casas senhoriais para o turismo.
Moderador: Paolo Motta Coordenador do Projeto PAGUS - América Latina
Palestrante: Manuel Ferreira Administrador-Delegado da Associação de Municípios do Vale do Ave (AMAVE) Guimarães, Portugal. Experiência em Portugal; Cidade de Narni, Itália; Cidade de San Tiago de Compostela, Galiza, Espanha
10h Debate
11h30 Intervalo - Café
11h45 - A Civilização do Açúcar no Nordeste Palestrante: Felipe Dantas-SEBRAE
12h10 Debate
12h30 - Intervalo Livre para almoço
14h - O Empreendedorismo, a formação e a cultura, no processo de revitalização social e econômica, em cidades patrimônio da Humanidade.
Moderador: Oswaldo Lima Neto Secretário SEPLAMA/PMO
Painel I - Uma proposta para a criação do Centro de Acolhimento e Inovação Empresarial em Olinda (CAIE) - Emanuel Leite, Pós-Doutor em Empreendedorismo.
Painel II - A experiência da STUDIAFORM em dinâmicas de apoio ao desenvolvimento local - Jerônimo Silva - Guimarães, Portugal.
Painel III Ponto de Cultura Religioso Sr. Adeildo Paraíso da Silva
16h Intervalo - Café
16h15 - Oportunidades de novas iniciativas geradoras de proventos, e possibilidades de fomento e de negócios, na criação e comercialização de artigos diversos de interesse local e turístico - Artigos religiosos (livros, CDs, imagens, velas, bijouterias, ervas, artesanato, etc.).
Moderador: Irageu Fonseca - Secretário Adjunto de Desenvolvimento Econômico
Painel I - Palestrante: Manuel Ferreira AMAVE, Portugal Uma iniciativa, em preparação, na cidade de Guimarães, para a criação de uma cooperativa de prestação de serviços no domínio da produção e comercialização de bens musicais e religiosos de interesse turístico.
Painel II - A formação profissional no processo do desenvolvimento turístico - Albino Ferreira COMPENDITUR Guimarães, Portugal.
Painel III Fomentos e Negócios e agentes de financiamento - Sami Paiva - Secretário de Desenvolvimento Econômico.
18h Conclusão dos trabalhos e Encerramento

Fonte: Prefeitura Municipal de Olinda
Texto: Jamille Coelho
Arte: Rodrigo Cândido
17h06 - 11/07/2006

ÁGUA PRA GENTE

*por William Ferreira A água passa nos canos, mas não é para os canos. É para as pessoas, para os animais, para as lavouras, até mesmo...