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4 de março de 2009

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Discussão sobre Igualdade de gênero, soberania e segurança alimentar marca
celebração pelo Dia Internacional da Mulher
Mulheres e segurança alimentar. Este é o assunto da oficina e do debate Igualdade de Gênero, Soberania e Segurança Alimentar, que acontecem no dia 06 de março (sexta-feira), das 14h às 21h, no auditório da CESE – Coordenadoria Ecumênica de Serviços (Rua da Graça, 164, Graça). A proposta da atividade, que marca a semana de comemorações pelo Dia Internacional da Mulher, celebrado no dia 08 de março, é discutir temáticas que envolvem a participação política de mulheres e o direito à alimentação.
As mulheres sempre desempenharam um papel central no que se refere à alimentação, sendo responsáveis por grande parte da produção, do preparo e da distribuição de alimentos. Muitas delas ainda contribuem para a garantia da soberania alimentar de suas comunidades, resistindo à imposição de padrões alimentares externos às culturas locais e mantendo a qualidade e diversidade de alimentos disponíveis.
Mesmo com os importantes avanços e conquistas, a realidade brasileira ainda é marcada pela desigualdade de gênero, que se reflete na vida dessas mulheres e também no campo da soberania e segurança alimentar. A maioria acumula atividades que geram renda e ainda abarca o trabalho doméstico, os cuidados com a saúde e com a educação das crianças. O número de famílias chefiadas por mulheres vem crescendo significativamente nos últimos anos, chegando a 31% das famílias urbanas, segundo dados do IPEA (2008). No entanto, a participação da mulher no mundo do trabalho ainda se confronta com concepções tradicionais de gênero que fazem com que seu trabalho não tenha o devido reconhecimento e permaneçam com reduzido poder de decisão sobre a renda gerada pela família. Há, ainda, o fato de que muitas das atividades produtivas realizadas pelas mulheres na roça ou no espaço da casa e do quintal, como a criação de pequenos animais, o cultivo de hortaliças e o processamento caseiro de alimentos para conservação e comercialização, permanecem sem reconhecimento como atividades geradoras de renda. Na esfera do consumo, as mulheres são as grandes responsáveis por buscar alternativas alimentares administrando orçamentos familiares muito restritivos.
A iniciativa, promovida pela CESE, Heifer International, SASOP - Serviço de Assessoria a Organizações Populares Rurais, Terre dês Hommes e Consea/Ba – Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional, pretende levantar uma reflexão sobre essas questões junto com representantes do movimento social rural e urbano. A oficina, que começa às 14h, será conduzida por Marli Romão, representante da Casa da Mulher do Nordeste. Já o debate, marcado para acontecer das 19h às 21h, contará também com presença de Vera Lúcia Barbosa, do Movimento dos Sem-Terra (MST); de Luiza Bairros, da Secretaria Estadual de Promoção da Igualdade e de Políticas Públicas para as Mulheres (SEPROMI); e de Marineide Dias dos Santos, do Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais (MMTR).

Participação Política – As políticas de soberania e segurança alimentar trazem o reflexo das concepções sobre o que são atribuições de mulheres e homens, seja pela ausência de recorte de gênero ou priorização das mulheres e das atividades por elas desempenhadas ou pela opção por estratégias que reforçam os papéis tradicionalmente atribuídos às mulheres. Outro dado que é, ao mesmo tempo, conseqüência das desigualdades de gênero e fator de aprofundamento delas, é o baixo grau de participação das mulheres nos espaços de decisão e elaboração de políticas de soberania e segurança alimentar, o que restringe as oportunidades para que suas necessidades e prioridades sejam levadas em conta no desenho dessas políticas. Em qualquer dos casos, ações e políticas de soberania e segurança alimentar que falhem em reconhecer as desigualdades de gênero historicamente construídas, podem contribuir para o aprofundamento das desigualdades entre mulheres e homens e para a perpetuação de situações de violação dos direitos humanos.

PROGRAMAÇÃO

Oficina Igualdade de Gênero, Soberania e Segurança Alimentar
Oficineira: Marli Romão (Casa da Mulher do Nordeste)
Horário: 14h às 18h
Debate Igualdade de Gênero, Soberania e Segurança Alimentar
Palestrantes: Marli Romão (Casa Mulher do Nordeste), Vera Lúcia Barbosa (MST), Luiza Bairros (SEPROMI)
Coordenadora de mesa: Marineide Dias dos Santos (MMTR)
Horário: 19h às 21h

Para participar da oficina, é necessário fazer inscrição e confirmar presença.

SERVIÇO

O quê: Oficina e debate Igualdade de Gênero, Soberania e Segurança Alimentar
Quando: 06 de março (sexta-feira)
Onde: CESE (Rua da Graça, 164, Graça)

MAIS INFORMAÇÕES
CESE – Coordenadoria Ecumênica de Serviços
Contatos: Viviane (71 2104-5457)

Heifer International
Contato: Olga (71 2104-5455)

Terre des Hommes
Contato: Keu (71 2104-5488 / 3012-5488)

SASOP – Serviço de Assessoria a Organizações Populares Rurais
Contato: Luciana (71 3335-6049)

Consea/Ba – Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional
Contato: Márcia (71 3115-9866)

26 de agosto de 2008

África prepara Conferência da ONU sobre Racismo

Representantes dos governos africanos, das Nações Unidas e de ONGs estão reunidos em Abuja, capital da Nigéria, para preparar a Revisão da Conferência contra Racismo, marcada para 2009. O encontro regional coletará propostas do continente africano para a Conferência Mundial contra Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e todas as formas de Intolerância, realizada, pela primeira vez, em Durban, na África do Sul, em 2001. Mudanças Nesta entrevista à Rádio ONU, de São Paulo, o reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, José Vicente, disse que a conferência da ONU ajudou a implementar mudanças no combate ao racismo no Brasil. "Por exemplo o caso do Brasil, cuja Conferência de Durban produziu uma série de inflexões internas e obrigou o país a abrir um caminho de discussão e também a produzir algumas tímidas medidas administrativas e mesmo algumas legislações no sentido de garantir o acesso, a inclusão e o tratamento igualitário ao negro brasileiro," disse. A proposta da conferência é avaliar progressos e desafios implementados desde 2001 nos níveis local, regional e internacional. A reunião regional em Abuja, na Nigéria, termina nesta terça-feira. (Com informações da Rádio ONU).

http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/NoticiasIntegra.asp?id_artigo=4092
Por Redação
[Segunda-Feira, 25 de Agosto de 2008 às 15:31hs]



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1968: A luta contra o racismo irrompe nas Olimpíadas Por Dave Zirin

14 de agosto de 2008

O governo da Geórgia usa blogs para enfrentar os russos

O governo da República da Geórgia criou um weblog para poder distribuir comunicados oficiais depois que a Rússia, aparentemente, cortou o acesso dos georgianos à internet.
O weblog do ministério de Relações Exteriores foi o recurso encontrado pela Geórgia para enfrentar o poderoso vizinho numa disputa que pode tornar ainda mais confusa e tensa a situação numa área que é um barril de pólvora desde a implosão da antiga União Soviética.
O curioso nisso tudo é que os georgianos tenham recorrido a uma ferramenta tão prosaica, conhecida pelos milhões de blogs publicados em todo mundo.
Outro fato inédito é que alguns países do leste europeu começaram a desenvolver o que já está sendo chamado de diplomacia virtual. A Polônia, por exemplo, está publicando os boletins de guerra da Geórgia na página do seu chefe de governo.
O esforço para conquistar corações e mentes por meio da internet abre um novo campo dentro da já vasta diversidade de projetos e propostas dentro da blogosfera, hoje povoada por quase 120 milhões de weblogs, dos quais pelo menos 60% são atualizados periodicamente. Leia mais em
O governo da Geórgia usa blogs para enfrentar os russos e a guerra chega ao espaço virtual
De Carlos Castilho no site Observatório da Imprensa

6 de junho de 2008

Saúde de Olinda capacita jovens de terreiros

A coordenação de DST/AIDS e da População Negra de Olinda realiza neste sábado (7) a 3ª Oficina sobre doenças sexualmente transmissíveis e saúde bucal. Cerca de 30 jovens de terreiros do município participam do evento, que acontece das 8h às 12h, na Sociedade Religiosa Africana Santa Bárbara Nação Xambá (Terreiro de Xambá), na rua Severina Paraíso da Silva, n° 65, São Bendito (Próximo ao Portão do Gelo)Durante o encontro, serão realizadas palestras, exibições de vídeos, debate sobre DST/AIDS, higiene e prevenção no âmbito da saúde bucal, além de trabalho em grupo envolvendo os participantes.


Pedro Morais
Em: http://www.olinda.pe.gov.br/portal/noticias.php?cod=2104

19 de maio de 2008

I Festival da Herança Africana


I Festival da Herança Africana
Águas Compridas
Olinda-Pernambuco-Brasil

PROGRAMAÇÃO GERAL


De 19 a 23 de maio

De 9 às 12hsE de 14 às 18hs

Telecentro do Maracatu Leão Coroado, na 2ª Travessa do Alto Nova Olinda, 226.

- Oficinas de Conhecimentos Livres (com GESAC, SERPRO e Casa Brasil)


24 de maio

9hs

Escola Santo Início de Loyola, na Estrada do Caenga, São Benedito - Olinda

- Palestra com Lepê Correia, Prof° Roberto Benjamin (Comissão Pernambucana de Folclore) e Profª Fátima Solange (Universidade Federal da Paraíba)


24 de maio

A partir das 17hs

R. Nelson de Melo Paes Barreto – no terminal do ônibus Nova Olinda - Águas Compridas/Olinda

- Shows da Cultura Popular (Tribo de Índios Tapajós, Ciranda Cobiçada,Okeleodudwá, Liberdade Negra, Raízes do Leão, Brascuba, Piaba de Ouro, Coco Bongar e Maracatudo Camaleão)


25 de maio

9hs

Na 2ª Travessa do Alto Nova Olinda, 226

Workshop com o Jongo da Serrinha (Rio de Janeiro)


25 de maio

A partir das 17hs

R. Nelson de Melo Paes Barreto – no terminal do ônibus Nova Olinda - Águas Compridas/Olinda

- Shows da Cultura Popular (Caboclinho 7 Flechas, Lia de Itamaracá, Mestre Salustiano, Coco de Umbigada, Afoxé Alafin Oyó, Raízes de Quilombo, Jongo da Serrinha e Maracatu Leão Coroado)


Serviço:

Telefones para conato: 3451.3191/9666.8558/8769.8429
E-mail: festivaldasnacoes@gmail.com

23 de março de 2008

Cuito Cuanavale: o princípio do fim do apartheid

Há 20 anos, em 23 de março de 1988, travou-se no sudeste de Angola a decisiva Batalha de Cuito Cuanavale, na qual tropas angolanas, de Cuba e da SWAPO, movimento armado de libertação da Namíbia, unidas, derrotaram tropas do regime racista da África do Sul, que tinham o apoio da Unita e dos EUA.
Por Beto Almeida, para a TELESUR
Não surpreende que os meios de comunicação comerciais, sempre tão zelosos em comemorar as datas mais banais, seja sobre um desfile de moda, uma festa grã-fina ou um festival de cerveja ou de rock, tenham a mais completa insensibilidade para um registro, ainda que informativo, sobre esta Batalha de Cuito Cuanavale, epopéia tão marcante na caminhada da humanidade para enterrar um dos mais selvagens e brutais regimes da história, o apartheid mantido por décadas pela oligarquia racista da África do Sul, obviamente, com a sustentação da "democracia" norte-americana.
Vale relembrar. Em 1987, a situação em Angola se agravara drasticamente. Aliás, nunca tinha sido tranqüila a situação para o movimento de libertação de Angola, desde o início de sua luta contra o colonialismo português. Depois de fundado no início dos anos 60, o MPLA, dirigido pelo poeta e médico Agostinho Neto, consegue grandes avanços a partir da Revolução dos Cravos, quando o movimento de militares revolucionários derruba a ditadura salazarista em Portugual, a 25 de abril de 1974.
O colonialismo português entrava em colapso total, o novo governo português, dirigido por militares revolucionários adota posição de solidariedade para com os movimentos de libertação das ex-colônias portuguesas. A 11 de novembro de 1975 as tropas do MPLA tomam a capital Luanda e declaram a Independência e a fundação da República Popular de Angola. Mas, não houve paz.
Imediatamente, os EUA que já haviam patrocinado com dinheiro e armas a criação da Frente Nacional para a Libertação de Angola, dirigida por Holden Roberto e com apoio total do governo reacionário do Zaire, de Mobuto Sezeke, e também a Unita, dirigida por Jonas Savimbi, com apoio direto do regime racista da África do Sul, determinam ações para desestabilizar o novo governo angolano, impedindo que a independência fosse seguida da reconstrução de um país dilacerado pela guerra colonial. A guerra recrudesce em Angola, país rico em diamantes e petróleo; o exército da África do Sul intervém diretamente.
Brasil reconhece Angola e Kissinger vem ao Brasil Agostinho Neto solicita ajuda militar de Cuba, que, com o apoio da URSS, atende. Um fato notável é que o primeiro país a reconhecer o novo governo de Angola é o Brasil, então presidido por Ernesto Geisel. A posição brasileira causou grande insatisfação junto ao governo dos EUA.
Aliás, o reconhecimento brasileiro à Independência de Angola inseria-se num leque de medidas da política externa brasileira de então - tais como o reatamento com a China, a Romênia, o acordo nuclear Brasil-Alemanha e o rompimento de um Tratado Militar com os EUA e outras - que já indicava um outro alinhamento internacional do Brasil, chegando a motivar uma visita repentina do Secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger , ao Brasil.
Segundo os relatos, Kissinger teria reclamado junto ao presidente Geisel da política externa brasileira. Teria mesmo dito, em tom de ingerência, que a postura brasileira reconhecendo o governo de Agostinho Neto representaria na prática "fazer o jogo do comunismo internacional, o Brasil alia-se a Cuba". A resposta de Geisel teria deixado Kissinger surpreendido e irritado: "Senhor Secretário, a nossa política externa não está em debate com o senhor!" Bem diferente da diplomacia de "pés descalços" e subserviente que o Brasil veio a experimentar nos anos 90, a era da privatização
Cuba pega em armas contra o apartheid Apesar da solidariedade militar cubana a Angola, a crescente intervenção dos EUA no conflito, através da África do Sul, faz com que boa parte do território angolano escape do controle do governo angolano. Em outubro de 1987, o Presidente angolano José Eduardo Santos expõe a Fidel Castro as dificuldades monumentais e o risco de uma derrota militar. Solicita, uma vez mais, que Cuba conceda mais apoio militar. A dramática situação angolana é analisada exaustivamente pela direção cubana que decide empenhar-se ainda mais decisivamente na guerra de libertação do povo angolano, baseando-se nos princípios do Internacionalismo Proletário, inscrito na Constituição Socialista de Cuba.
As tropas angolanas e cubanas posicionadas na localidade de Cuito Cuanavale, estavam sob intenso bombardeio do exército racista da África do Sul. O risco de massacre era iminente. Enquanto resistiam, um novo plano estava sendo elaborado em Cuba para inverter esta situação desfavorável. Em sucessivas viagens de 15 horas de Havana até Luanda - num itinerário inverso ao dos navios negreiros - aviões transportam dezenas de milhares de soldados cubanos.
Há também o fornecimento de mil tanques, milhares de baterias anti-aéreas e num prazo recorde de 60 dias é construído um aeroporto com estrutura suficiente para pouso e decolagem dos modernos aviões Mig-23, de fabricação soviética, que Cuba também forneceria a Angola, juntamente com seus melhores pilotos. O plano estava traçado para a Batalha final de Cuito Cuanavale: 40 mil soldados cubanos bem armados e treinados, 30 mil soldados angolanos e 3 mil guerrilheiros da SWAPO, o exército de libertação da Namíbia, país que também estava ocupado por tropas da África do Sul.
Rumo ao sul Fidel havia encarregado o general Cintra Frias, veterano guerrilheiro de Sierra Maestra, do comando destas operações em território angolano. Na oportunidade, Castro teria confessado ao líder do Partido Comunista da África do Sul, o branquelão Joe Slovo, que a estratégia seria como a de um boxeador: "Enquanto seguramos o inimigo com a mão esquerda (Cuito Cuanavale) , vamos atacando com o punho direito". A situação militar se inverte graças a esta massiva e preparada intervenção cubana, país que chegou a enviar a Angola, ao longo anos, cerca de 350 mil homens e mulheres internacionalistas, garantindo de fato a verdadeira independência na jovem nação africana.
Não suportando os golpes recebidos, em especial uma grande surra promovida pela atuação dos pilotos cubanos nos MIG-23, a Batalha decisiva ocorre no dia 23 de março de 1987, uma derrota fundamental das tropas da África do Sul que Nelson Mandela assim descreveria: " Cuito Cuanavale foi a virada para a luta de libertação do meu continente e do meu povo do flagelo do apartheid!"
Sem dúvida, a luta de libertação da Namíbia também recebia um grande impulso, e dois anos mais tarde, este país também declararia a sua Independência. Entretanto, o governo racista de Botha preocupava-se, pois pela potência e envergadura da estratégia armada por Cuba no sul de Angola chegou a imaginar que as tropas cubanas pudessem dirigir-se rumo ao sul, ou seja, rumo a Pretória.Na fuga, as tropas racistas bombardearam pontes, revelando medo de uma ofensiva rumo ao sul. Enquanto as batalhas ocorriam, com sucessivas derrotas impostas às tropas da África do Sul, ocorriam no âmbito da ONU as famosas negociações em busca de um acordo, negociações em que os representantes dos EUA exibiam toda sua hipocrisia.
Mas, há um diálogo que merece ser relembrado, quando o representante do regime racista nestas negociações pergunta ao representante de Cuba, Jorge Risquet, se havia a intenção de uma ação militar rumo ao Sul, a resposta é dessas que entram para os anais de história militar: "Se eu lhe disser que vamos rumo ao Sul isto seria tomado como uma ameaça, se eu lhe disser que não vamos rumo ao sul, isto seria para vocês um calmante". Deixou o racista atônito e confuso. E em outra oportunidade deu o toque de realismo que a arrogância sul-africana não queria reconhecer. "A África do Sul não tem condições de impor na mesa de negociações uma situação de vantagem quando no campo de batalha está sendo fragorosamente derrotada." De fato, os negociadores sul-africanos diziam que se retirariam "para a Namíbia". A história foi diferente, tiveram que sair também da Namíbia.
Condolezza e o Ministro Negro Exatamente quando a Secretária de Estado dos EUA, Condolezza Rice visitava o Brasil, onde, entre muitos temas mais importantes e nada divulgados, assinou um Plano de Ação pelo qual Brasil e EUA decidem atuar conjuntamente para "eliminar a discriminação racial", a TV Cidade Livre, o canal comunitário de Brasília, realizava um debate sobre a Batalha de Cuito Cuanavale, com participação de embaixadores de Cuba, Angola, Namíbia e África do Sul, agora livre do apartheid. O texto firmado por Condolezza e o Ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, afirma que Brasil e EUA "partilham a característica de serem sociedades democráticas multi-éticas e multi-raciais", o que teria motivado um comentário de Fidel Castro em uma de suas Reflexões do Comandante: "É assombroso. Penso que é exatamente o contrário o que acontece nos EUA".
Sem dúvida, basta verificar as condições de vida da população negra que ainda hoje vegeta sob os escombros do Furacão Katrina, em Nova Orleans. Ou contar o contingente de negros nas prisões norte-americanas. Ou a quantidade de eleitores negros que foram sub-repticiamente retirados do cadastro eleitoral para assegurar a vitória suspeita de Bush nas decisivas eleições presidências na Flórida em 2000.
Quanto ao Brasil, sabemos que os negros são maioria nas prisões, nas filas do desemprego, entre os que recebem os salários mais baixos, entre os que vivem nas favelas, entre os que estão nas fazendas com trabalho escravo. Num quadro dantesco como este, a simples existência de um Ministério da Igualdade, pode ser uma boa notícia, demonstrando a sensibilidade que o presidente Lula tem para a questão racial, afinal, um de seus grandes amigos na época da fábrica era um negro. Também é importante que uma das primeiras leis por ele sancionada é exatamente a que introduz a disciplina História da África nos currículos da escola brasileira.
Qual foi a nossa solidariedade? No entanto, não se deve deixar passar a oportunidade para uma reflexão bem mais profunda, por exemplo, a partir da divulgação pela TV Brasil da histórica importância da Batalha de Cuito Cuanavale para a libertação da África do Sul e para o começo do fim do apartheid, permitindo às novas gerações tomar conhecimento de que houve um povo capaz de levar sua solidariedade à expressão máxima de concretude: Cuba socialista foi o único país que pegou em armas para combater o apartheid e para defender a independência de uma nação irmã ameaçada pela ação colonialista dos EUA em apoio à África do Sul e ao exército mercenário da Unita. Ou seja, nada pode ser mais assombroso, como disse Fidel, que a Condolezza venha reivindicar seu país como uma democracia multi-racial e multi-étnica.
Cuito Cuanavale deve servir também para os movimentos sociais, especialmente ao movimento negro brasileiro, para refletir que a solidariedade deve ter tradução real, pois não se tem notícia de que os nossos irmãos angolanos tenham recebido do movimento negro, em solidariedade, uma aspirina que fosse. Enquanto que Cuba enviou para Angola 350 mil homens e mulheres, de lá trazendo apenas seus mortos e as medalhas desta vitória que jamais poderá ser apagada da consciência da humanidade.
Muito se exalta que o Brasil é o país como maior população negra fora da África, mas qual foi a nossa solidariedade concreta quando ela foi tão necessária? Quando vários estudos registram o seqüestro impiedoso de contingentes negros africanos para formar o escravagismo nas Américas, e isto é uma verdade cruel e inapagável, Cuba foi capaz de inverter o itinerário: negros, brancos e mestiços partiam do Caribe para a Mãe África que estava sendo estuprada pelo apartheid e pelos EUA para oferecer solidariedade, para lutar com armas nas mãos, ombro a ombro com angolanos e namibiamos e impor a primeira derrota, que tinha que ser militar, ao apartheid.
Como disse Mandela, em Cuito Cuanavale se deu a virada. Mas, uma virada marcada pela consciência das tropas cubanas de serem a continuidade histórica do internacionalismo proletário, de fazerem reviver o brado heróico de Stalingrado, de retomarem o exemplo revolucionário das massas vietnamitas que também derrotaram os EUA. Para a África Cuba enviou negros, brancos e mestiços alfabetizados, cultos, um exército bem treinado, com consciência socialista, e que não esteve em Angola para rapinar petróleo ou de diamante, como hoje fazem de modo selvagem e assassino as tropas norte-americanas no Iraque. E a solidariedade cubana com a África não se esgotou naquela histórica epopéia militar: hoje milhares de médicos e professores cubanos trabalham em dezenas de países africanos.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, o contingente de médicos cubanos na África supera o número de médicos que todos países ricos somados têm hoje naquele continente que tanto rapinaram....Por isso, é indispensável um debate mais aprofundado sobre o papel de Cuba e Angola na luta contra o apartheid, pois, não faz nenhum sentido falar da luta contra o racismo desconhecer esta contribuição, ignorar a dimensão histórica da Batalha de Cuito Cuanavale e, ao mesmo tempo, tomar como exemplo de luta anti-racial o modelo norte-americano, quando foram os EUA os principais sustentadores do apartheid.
Recomendação ao Ministro Edson Santos: que tal promover um debate sobre a Batalha de Cuito Cuanavale na TV Brasil, exibindo lá os excelentes documentários cubanos sobre esta guerra de libertação, com o que poderíamos furar este enorme bloqueio informativo contra esta verdadeira façanha histórica realizada por Cuba para derrotar o criminoso regime do apartheid? O momento é importante, não apenas pela data, mas também porque uma das missões que trouxe Condolezza Rice ao Brasil é a de intimidar a comunidade de países sul-americanos diante da excelente proposta brasileira de criação de um Conselho de Defesa do Atlântico Sul. Há quem acredite que ela veio aqui para combater o racismo, mesmo sendo tão assombroso acreditar nisto.

Beto Almeida é jornalista da rede Telesur
link para Telesur http://www.telesurtv.net/

14 de julho de 2006

Encontro de Economia e Religiões acontece nesta sexta em Olinda

O 1º Encontro de Economia e Religiões estará acontecendo nesta sexta-feira (14), à partir das 8h30 no auditório Ribeira, do Centro de Convenções, em Olinda. O evento, que é gratuito e tem realização da Prefeitura de Olinda e da Coordenadoria de Assuntos Religiosos, pretende desenvolver ações para incentivar a geração de renda para a auto-sustentação dos espaços religiosos.
Durante o encontro serão discutidas algumas possibilidades relacionadas à geração de renda para atender as entidades religiosas e suas necessidades, através da comercialização de artigos e ajuda de grandes e pequenos investidores.
De acordo com o secretário adjunto de Desenvolvimento Econômico, Irageu Fonseca, no encontro haverá exibição de painéis com experiências que deram certo em outros países. Além disso, serão realizados treinamentos de mão de obra para capacitação dos participantes.
Confira a programação completa: 8h30 – Abertura9h30 - Experiências européias no domínio da adaptação e utilização de edifícios históricos, religiosos e casas senhoriais para o turismo..Moderador: Paolo Motta Coordenador do Projeto PAGUS - América LatinaPalestrante: Manuel Ferreira Administrador-Delegado da Associação de Municípios do Vale do Ave (AMAVE) Guimarães, Portugal. Experiência em Portugal; Cidade de Narni, Itália; Cidade de San Tiago de Compostela, Galiza, Espanha10h - Debate11h30 Intervalo – Café11h45 - A Civilização do Açúcar no NordestePalestrante: Felipe Dantas-SEBRAE12h10 - Debate12h30 - Intervalo Livre para almoço14h - O Empreendedorismo, a formação e a cultura, no processo de revitalização social e econômica, em cidades patrimônio da Humanidade.Moderador: Oswaldo Lima Neto Secretário SEPLAMA/PMOPainel I - Uma proposta para a criação do Centro de Acolhimento e Inovação Empresarial em Olinda (CAIE) - Emanuel Leite, Pós-Doutor em Empreendedorismo.Painel II - A experiência da STUDIAFORM em dinâmicas de apoio ao desenvolvimento local - Jerônimo Silva - Guimarães, Portugal.Painel III - Ponto de Cultura Religioso Sr. Adeildo Paraíso da Silva16h - Intervalo – Café16h15 - Oportunidades de novas iniciativas geradoras de proventos, e possibilidades de fomento e de negócios, na criação e comercialização de artigos diversos de interesse local e turístico - Artigos religiosos (livros, CDs, imagens, velas, bijuterias, ervas, artesanato, etc.). Moderador: Irageu Fonseca - Secretário Adjunto de Desenvolvimento EconômicoPainel I - Palestrante: Manuel Ferreira AMAVE, Portugal Uma iniciativa, em preparação, na cidade de Guimarães, para a criação de uma cooperativa de prestação de serviços no domínio da produção e comercialização de bens musicais e religiosos de interesse turístico. Painel II - A formação profissional no processo do desenvolvimento turístico - Albino Ferreira COMPENDITUR Guimarães, Portugal. Painel III Fomentos e Negócios e agentes de financiamento - Sami Paiva - Secretário de Desenvolvimento Econômico18h Conclusão dos trabalhos e Encerramento.


Publicado em 14.07.2006, às 08h45 Jornal do Comércio

12 de julho de 2006

Olinda sedia 1º Encontro de Economia e Religiões


A Prefeitura de Olinda, através da Coordenadoria de Assuntos Religiosos, realiza nesta sexta-feira (14), o 1º Encontro de Economia e Religiões. O evento acontece no auditório Ribeira, no Centro de Convenções de Pernambuco, a partir das 8h30. A entrada é franca.

O objetivo da coordenadoria é desenvolver ações que incentivem a geração de renda para a auto-sustentação dos espaços religiosos. De acordo com a coordenadora de Assuntos Religiosos, Dina de Oliveira, Olinda é uma cidade que enfrenta o desafio de promover o desenvolvimento econômico e social de seus habitantes. “Identificamos as comunidades religiosas como espaços com potencial para promover ações geradoras de emprego e renda”, explicou.

Durante o encontro serão discutidas algumas possibilidades relacionadas à geração de renda para atender as entidades religiosas e suas necessidades, através da comercialização de artigos e ajuda de grandes e pequenos investidores. Segundo Dina, os espaços religiosos ainda não oferecem livros, medalhas, imagens, guias, velas, entre outros artigos.

Inicialmente, a Prefeitura vai incentivar elaboração de projetos para atrair investidores. De acordo com o secretário adjunto de Desenvolvimento Econômico, Irageu Fonseca, no encontro haverá exibição de painéis com experiências que deram certo em outros países. Além disso, serão realizados treinamentos de mão de obra para capacitação dos participantes.

A iniciativa conta com o apoio do Centro de Acolhimento e de Inovação Empresarial de Olinda, que é fruto de um convênio de cooperação técnica da Prefeitura de Olinda e Studia Fórum de Guimarães – Portugal, em parceria com o SEBRAE.

PROGRAMAÇÃO
08h30 - Abertura0
9h30 Experiências européias no domínio da adaptação e utilização de edifícios históricos, religiosos e casas senhoriais para o turismo.
Moderador: Paolo Motta Coordenador do Projeto PAGUS - América Latina
Palestrante: Manuel Ferreira Administrador-Delegado da Associação de Municípios do Vale do Ave (AMAVE) Guimarães, Portugal. Experiência em Portugal; Cidade de Narni, Itália; Cidade de San Tiago de Compostela, Galiza, Espanha
10h Debate
11h30 Intervalo - Café
11h45 - A Civilização do Açúcar no Nordeste Palestrante: Felipe Dantas-SEBRAE
12h10 Debate
12h30 - Intervalo Livre para almoço
14h - O Empreendedorismo, a formação e a cultura, no processo de revitalização social e econômica, em cidades patrimônio da Humanidade.
Moderador: Oswaldo Lima Neto Secretário SEPLAMA/PMO
Painel I - Uma proposta para a criação do Centro de Acolhimento e Inovação Empresarial em Olinda (CAIE) - Emanuel Leite, Pós-Doutor em Empreendedorismo.
Painel II - A experiência da STUDIAFORM em dinâmicas de apoio ao desenvolvimento local - Jerônimo Silva - Guimarães, Portugal.
Painel III Ponto de Cultura Religioso Sr. Adeildo Paraíso da Silva
16h Intervalo - Café
16h15 - Oportunidades de novas iniciativas geradoras de proventos, e possibilidades de fomento e de negócios, na criação e comercialização de artigos diversos de interesse local e turístico - Artigos religiosos (livros, CDs, imagens, velas, bijouterias, ervas, artesanato, etc.).
Moderador: Irageu Fonseca - Secretário Adjunto de Desenvolvimento Econômico
Painel I - Palestrante: Manuel Ferreira AMAVE, Portugal Uma iniciativa, em preparação, na cidade de Guimarães, para a criação de uma cooperativa de prestação de serviços no domínio da produção e comercialização de bens musicais e religiosos de interesse turístico.
Painel II - A formação profissional no processo do desenvolvimento turístico - Albino Ferreira COMPENDITUR Guimarães, Portugal.
Painel III Fomentos e Negócios e agentes de financiamento - Sami Paiva - Secretário de Desenvolvimento Econômico.
18h Conclusão dos trabalhos e Encerramento

Fonte: Prefeitura Municipal de Olinda
Texto: Jamille Coelho
Arte: Rodrigo Cândido
17h06 - 11/07/2006

ÁGUA PRA GENTE

*por William Ferreira A água passa nos canos, mas não é para os canos. É para as pessoas, para os animais, para as lavouras, até mesmo...