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9 de junho de 2008

"Sem temer a volta das políticas regionais"

Por: Aristides Monteiro Neto
Revista Desafios do Desenvolvimento
Janeiro de 2007

Voltaram ao cenário político brasileiro a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e a Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Será essa volta apenas uma figura de retórica ou, de fato, teremos novamente instituições voltadas para a reorganização do planejamento regional nas regiões Norte e Nordeste do país? Exceto pela ampla disseminação, desde a década de 1990,de uma ideologia de forte viés antiestatista – a qual,depois de varrer o mundo, imiscuiu- se rapidamente em nosso país –, não existem muitas razões para se opor ao renascimento do planejamento regional. Na verdade,há vários motivos para que o contrário ocorra.
Três fortes razões podem ser aqui lembradas. Primeira: o arremedo de políticas supostamente benéficas propostas pelo Consenso de Washington, de forte liberalização financeira e comercial, impostas à economia brasileira desde o início de 1990,provocou um desvirtuamento na trajetória de longo prazo do crescimento do país e de suas economias regionais. Desde a década de 1960, quando políticas regionais passaram a ser implementadas de modo articulado e explícito,o crescimento do PIB per capita nas regiões menos desenvolvidas começou a apresentar ímpeto,na média, superior às demais regiões brasileiras. Entre 1960 e 1989 (a fase desenvolvimentista), as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste cresceram a taxas anuais de, respectivamente, 4,6%, 3,5% e 4,0%, e para as regiões Sudeste e Sul as mesmas taxas foram de 3,4% e 4,2%.Posteriormente, entre 1990 e 2002 (a fase liberal de reformas sem crescimento), as três regiões de menor desenvolvimento relativo apresentaram taxas de expansão do PIB per capita de 0,02%, 1,7% e 3,1%, enquanto Sudeste e Sul tiveram expansões de 1,0% e 1,2% ao ano.
“Torna-se imprescindível que instituições governamentais com caráter de planejamento e coordenação das políticas regionais sejam recriadas e acionadas para acelerar o crescimento econômico nas áreas de menor desenvolvimento do país”
Segunda razão: o ritmo de aceleração da queda das desigualdades do PIB per capita entre estados também sofreu uma involução. Entre 1947 e 1969, as desigualdades diminuíram à taxa de 1,5% ao ano (com base na taxa de crescimento anual de índices de Theil); entre 1970 e 1985, a taxa de diminuição ampliou-se para 2,9% ao ano; e, finalmente, no último período, o qual capta o descaso do retrocesso liberal, a taxa de redução das disparidades voltou a ser de apenas 1% ao ano.
Terceira: as intenções de investimento do setor privado numa economia aberta para o mundo e sem políticas regionais mostram tendências inequívocas à reconcentração produtiva no eixo Sul- Sudeste do país.Os dados coletados e divulgados amplamente pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) mostraram que, nos anos compreendidos entre 1996 e 2000, destinaram-se às regiões Norte,Nordeste e Centro-Oeste apenas cerca de 25% dos investimentos previstos pelos industriais, sendo que para o conjunto Sul-Sudeste ficaram os 75% restantes.
Está claro, pelas três causas apresentadas, que para economias como a brasileira, que não apresentam um centro dinâmico da economia majoritariamente definido pelo setor privado, o encolhimento da ação governamental não tem tido condições de ser imediatamente substituído pelo animal espirit do sistema empresarial privado. Do ponto de vista da questão regional, a saída do Estado, sem que um sistema de coordenação dos investimentos privados e dos poucos investimentos públicos existentes viesse a ser construído, conteve um processo virtuoso de redução das disparidades que estavam em andamento.
Conclusão: de um lado, urge que a política econômica do país busque obsessivamente o crescimento, em vez de simplesmente mirar a estabilidade macroeconômica.De outro lado, torna-se imprescindível que instituições governamentais com caráter de planejamento e coordenação das políticas regionais sejam recriadas e acionadas – como parece ser o caso agora da Sudene e da Sudam – para acelerar o crescimento econômico nas áreas de menor desenvolvimento do país e retomar a trajetória de queda nas desigualdades que o país tão arduamente construiu desde os anos 1960 e que sofreu um baque a partir dos anos 1990.


Aristides Monteiro Neto é pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e secretário de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente de Pernambuco.

ESTUDO REALIZADO PELA FGV PREVÊ FIM DAS FAVELAS ATÉ 2030


O Brasil poderá, em 22 anos, acabar com as favelas e o déficit habitacional de7,9 milhões de moradias caso mantenha os índices atuais de investimentos no setor. Estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pela consultoria Ernest & Young projeta investimentos de R$ 446,7 milhões na área até 2030. Para zerar o déficit, composto por moradias inadequadas e coabitação (mais de uma família na mesma casa) e atender a demanda que surgirá com o aumento da população, o estudo projeta a construção de 37 milhões de novas residências. O crédito para financiamentos chegará a R$ 290,4 bilhões no período. "O déficit por inadequação de moradia seria extinto e restariam algumas coabitações, mas por opção", diz Ana Maria Castelo, consultora da FGV. Segundo ela, as projeções do estudo levam em conta o crescimento anual de mais de 4% do Produto Interno Bruto (PIB), a queda dos juros para financiamentos e o crescimento populacional, entre outras variáveis. A maior parte das moradias será destinada a famílias com renda mensal de R$ 2 mil a R$ 4 mil. Ana Maria ressalta que a renda dos trabalhadores também deve aumentar nos próximos anos, por isso haverá menor necessidade de habitações para faixas salariais de até R$ 1 mil. O Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) e diversas outras entidades ligadas à questão habitacional não confiam nessas projeções. Acreditam que apenas com subsídios governamentais será possível reduzir o déficit de moradias. No próximo dia 18, o grupo apresentará ao Congresso Nacional proposta de emenda constitucional para garantir recursos ao financiamento de casas populares, para famílias com renda entre um e quatro salários mínimos (R$ 415 a R$ 1.660). "Mais da metade do déficit habitacional está nessa faixa e o boom de construções verificado atualmente não engloba essas famílias", diz Miguel Sastre, membro do Núcleo de Habitação Popular do Sinduscon. O grupo, formado por movimentos pró moradia, associações de empresas do setor e centrais sindicais, entre outros, propõe que sejam destinados ao subsídio da compra da casa própria 2% de toda a arrecadação da União e 1% das arrecadações do Estados e municípios. As famílias beneficiadas também entrariam com uma parte do financiamento.

Fonte: Agência Estado
Da redação HOTlink

17 de maio de 2008

A Dilma que eu conheço

Recebi este texto de um amigo. É uma análise interessante sobre duas pessoas que participaram diretamente da resistência à ditdura militar.

A ministra Dilma Roussef e eu somos da mesma geração e idade. Despertamos para a luta política ainda em nossa adolescencia e crescemos no combate à ditadura militar. Pagamos ambos um alto preço por isto, com prisões nas masmorras da ditadura, violencias e torturas por defender a democracia. Tínhamos visões diferentes sobre como encontrar uma saída para aqueles anos de chumbo, mas isto é história. História do Brasil, com H e B maiúsculos, porque a ajudamos a fazer com o desprendimento de nossas juventudes. Seguimos caminhos diferentes na luta política, mas nas nossas escolhas fomos autênticos em profundidade. Hoje, podemos olhar para atrás e dizer orgulhosamente, aos nossos filhos netos, que demos o bom combate, travamos a boa luta, sempre com o pensamento em alto e e antecipando a idéia, que depois tornou-se uma verdade aceita mesmo pela esquerda , de que a democracia é um valor universal.
Somos de uma geração muito especial, a geração de 68. Quarenta anos depois, é hora talvez de fazer balanços, mostrar os aspectos positivos e os menos positivos de todo um período, de todo um engajamento da juventude brasileira. Tenho orgulho de ter sido chamado públicamente por um grande historiador e cientista político brasileiro, Moniz Bandeira, de "herói do povo brasileiro". Um exagero, certamente. Uma homenagem, talvez. Heroínas sim foram a nossa querida Dilma, a nossa ministra, e a minha mulher Beatriz, garotas ainda adolescentes jogadas aos 19 anos em celas infectas, sujeitas ao terrorismo físico e psicológico dos carrascos de mente desvairada...
Nossa geração, logo após, se bifurcou. Segui para a reconstrução da minha vida no exílio exterior. Dilma fez a reconstrução da sua vida no exílio interior. Em tempos em que a internet não existia, nosso contacto era distante e quase impossível.
No Chile criamos um Comitê para denunciar as torturas no Brasil (José Serra, eu, Tetê Moraes e outros companheiros, alguns até mortos tragicamente) porque esta era única forma de divulgar à opinião pública mundial o que se passava no Brasil em termos de violação dos direitos humanos. Foi assim que tomamos conhecimento das bárbaras torturas que a garota de 19 anos havia sofrido e as divulgamos em um livro que publicamos sobre a tortura no Brasil e nos boletins informativos que editávamos para distribuição internacional. Dilma sobreviveu e pode depois reconstruir a sua vida, mudando-se de Minas para o Rio Grande do Sul.
Somente voltamos a nos encontrar no sonho da construção de um partido do socialismo democrático, voltado para a construção da social-democracia no Brasil. Eu na assessoria do Brizola - vindo com êle do exílio -, Dilma, junto com o seu então marido e companheiro, Carlos Araújo, despontando como as lideranças mais autênticas do PDT gaúcho. Militamos juntos por muitos anos.
Rompi com o velho caudilho um pouco mais cedo do que Dilma, que o fez poucos anos depois. Ajudei a fundar o PSDB - onde via a possibilidade de continuar o sonho da social-democracia - mas logo abracei a dissidencia tucana liderada pelo Ciro Gomes. Dilma optou por um caminho diferente, crescendo dentro da máquina pública gaúcha como uma técnica super-competente mesmo no catastrófico governo de Alceu Colares. Daí optou pelo PT, quando houve o rompimento da aliança gaúcha que a havia feito representante do PDT no secretariado do governador Olívio Dutra.
Hoje estamos mais separados. Ela como pessoa forte do governo e provável candidata presidencial, eu com uma postura mais crítica a um governo que vejo como meio caótico e sem projeto estratégico.
Mas no fundo vejo que continuam a haver muitas coincidencias em nossa visão de mundo. Ontem, por exemplo, no seu depoimento ao Senado, a ministra Dilma deixou de ser a Dama de Ferro do governo para encarnar toda uma geração - a sua geração, a minha geração, a nossa geração...
Ela falou por todos os torturados, por todos os violentados em seus direitos e em suas consciencias no passado, por todos os que viveram os dias de 68. Ela fez acender a chama da dignidade no coração de milhares, milhões talvez. Quando disse :
- O que acontece ao longo dos anos 70 é a impossibilidade de se dizer a verdade em qualquer circunstância - afirmou ela, emocionada. O direito à livre expressão estava enterrado. Não se dialoga com o pau-de-arara, o choque elétrico e a morte. É isso que é importante hoje na democracia brasileira. Qualquer comparação entre ditadura e democracia só pode partir de quem não dá valor à democracia brasileira.
E completou :
- Me orgulho de ter mentido, mentir na tortura não é fácil. Diante da tortura, quem tem dignidade fala mentira. Agüentar tortura é dificílimo. Todos nos somos muito frágeis, somos humanos, temos dor, a sedução, a tentação de falar o que ocorreu. A dor é insuportável o senhor não imagina o quanto. Me orgulho de ter mentido porque salvei companheiros da mesma tortura e da morte - finalizou, sendo aplaudida por parte dos senadores presentes à sessão.
Quem falava ali no recinto do Senado não era a toda poderosa Dama de Ferro do governo Lula. Era Joana D' Arc. Era Anita Garibaldi. Era o melhor de uma geração. Era a menininha de 19 anos, que voltava a ter os olhos radiantes, o coração vibrante e a emoção de pensar-se lutando por um futuro melhor.
Que esta seja a Dilma do futuro também. É o melhor que, agradecido por este momento sublime, eu e nossa geração dos lutadores de 68 podemos lhe desejar nestes momentos...

8 de maio de 2008

Maio 68: a poética das barricadas


Por: Olgária Matos*

30/04/2008



Das barricadas à festa revolucionária, o maio de 68 foi, nas palavras de Daniel Cohn Bendit, libertário, quer dizer, anti-capitalista e anti-totalitário, anti-comunista e lúdico. O movimento que marcou aquele ano em todo o mundo não considerou o sistema de partidos ou grupos de pressão aqualquer nível, não participou do sistema nem de seus métodos, não teve dirigentes, nem hierarquias, nem disciplina partidária.

Contestou os profissionais da contestação, recusando o jogo que as oposições dominam. Um de seus princípios, pode-se dizer, foi "a vontade geral contraa vontade do general" - no caso, do general-presidente Charles De Gaulle, da França. Mesmo as barricadas não tinham caráter defensivo, foram mais um ato de linguagem com valor de citação. O que os jovens contestaram, classificaram e reconheceram em palavras-de-ordem, grafites, faixas e panfletos foi o mundo desencantado do bem-estar material sem nenhum ideal de espírito.

"Não à sociedade de consumo" foi a crítica do presente, daquele momento, do consumo fetichizado, do trabalho alienado. Era uma crítica que dizia não à jaula de aço, a sociedade espetacular-mercantil, dominada pelo dinheiro, pelo cálculo e pelo interesse que separa os homens em vez de os aproximar. Foi uma contestação à sociedade produtora de mercadorias e de fetiches, de exaustão para uns, de tempos mortos para outros, prisão a céu aberto, uma sociedade do desencantamento psíquico e da cultura, da "desvalorização de todos os valores".
Política do desejo, 68 constituiu-se um princípio de realidade diverso do industrial-produtivista, no qual o capital impõe formas de ser e de pensar. 68 foi contra a estatização do indivíduo, afirmando os direitos dasubjetividade e da espontaneidade criadora e consciente. Contrapôs-se à ideologia que condenava o indivíduo e a subjetividade, reduzindo-os à condição de "individualismo" e "sentimentalismo pequeno-burguês". Com a crítica à ética da abnegação e do sacrifício, a crítica ao mundo desencantado e burocratizado, colocou como lema a verdade triunfante do desejo.

Contra o mundo sem sonho e sem poesia,fez-se o mês de maio, convertendo a prosa em poesia, a sociedade em comunidade política - aquela que quer a felicidade e encontra novas razões da vida em comum. Herdeiro inovador de tradições e revoluções, o maio francês recuperou a cultura como valor de uso da cidade. Reavivou a iconografia da revolução Russa, da guerra civil espanhola e da Frente Popular de 1936, a China maoísta, a Cuba de Fidel, Rosa Luxemburgo e Engels, mas também Lamartine, Rimbaud e Baudelaire. Em 68, não é o desenho que domina e, mesmo nos cartazes, a palavra é soberana. Foi pura desconfiança, pois, da simples inovação gráfica e da retórica das imagens, foi confiança no discurso e na voz.

1968 recusou o mundo em prosa, substituíndo-o pela utopia. Foi o movimento de jovens estudantes e operários à luta entre as classes, preferiram o país de Cocagne e o "Convite à viagem". O levante de maio não consistiu em ativismo político, pois recusou a lógica do vencedor e do vencido, do traumatismo e da morte. Princípio de vida, Eros, felicidade sensual e instintiva. 68 foi uma luta pela vida. Por isso a grande recusa foi a recusa da violência. E a recusa da morte.

Na madrugada de 11 de maio, após o combate nas barricadas, não havia mortos a resgatar. Vale lembrar Maurice Grimaud, chefe da polícia de Paris em 68, responsável pela manutenção da ordem nas jornadas de maio tendo garantido a moderação da polícia, considerando como um teatro o inflamado Quartier Latin. Dez anos depois, publicou suas memórias - En mai fais ce qui te plaît (Em maio faça o que te agrada). Expert na história da cidade, os comportamentos insurgentes não o assustavam, nem lhe ofereciam mistério algum. Por isso, de parte a parte houve a decisão de não matar: "a diferença [das rebeliões do passado], é que a polícia não pretende de maneira alguma matar os defensores das barricadas, nem estes, devo dizê-lo, matar os policiais, muito embora os pedregulhos atirados e as garrafas em chamas não sejam inocentes."
Desta forma, a revolução na revolução de maio foi a mutação da violência, seu deslocamento para o campo simbólico - com o que se criou o descompasso entre as palavras e os fatos. Depois das experiências totalitárias, o maio francês revelou que uma revolução não se reconhece pela tomada do poder, mas por sua potência de sonho. Pois ao totalitarismo, Eros pertence à democracia." (Marcuse).


(*) Olgária Matos é professora de Filosofia Política do Departamento de Filosofia da FFLCH-USP.

Provavelmente, Deus não é Africano

A África ocupou mais da metade do tempo, da última reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, na terceira semana do mês de abril de 2008. Na pauta: o impasse nas eleições presidenciais do Zimbabwe e as crises políticas da Republica Democrática do Congo e da Kenya, além dos conflitos armados, na Somália, e em Darfur, no Sudão. Trazendo de volta a imagem de um continente aparentemente inviável, com “estados falidos”, “guerras civis” e “genocídios tribais”, com apenas 1% do PIB mundial, 2% das transações comerciais globais e menos de 2% do investimento direto estrangeiro dos últimos anos. Mas a África não é tão simples nem homogênea, com seus quase 800 milhões de habitantes e seus 53 estados nacionais, que foram criados pelas potências coloniais européias, e foram mantidos juntos, graças à Guerra Fria, que chegou à África Setentrional, com a crise do Canal de Suez, em 1956; à África Central, com a guerra do Congo, dos anos 60; e finalmente, à África Austral, com a independência de Angola e Moçambique, e a sua guerra com a África do Sul, nos anos 80.
A independência africana, depois da II Guerra Mundial, despertou grandes expectativas com relação aos seus novos governos de “libertação nacional” e seus projetos de desenvolvimento, que foram muito bem sucedidos – em alguns casos - durante os primeiros tempos de vida independente. Este desempenho inicial, entretanto, foi atropelado por sucessivos golpes e regimes militares, e pela crise econômica mundial, da década de 1970, que atingiu todas as economias periféricas, e provocou um prolongado declínio da economia africana, até o início do século XXI. Mesmo na década de 90, depois do fim do mundo socialista e da Guerra Fria, e no auge da globalização financeira, o continente africano ficou praticamente à margem dos novos fluxos de comércio e de investimento globais.
Depois de 2001, entretanto, a economia africana ressurgiu, acompanhando o novo ciclo de expansão da economia mundial. O crescimento médio, que era de 2,4% em 1990, passou para 4,5, %, entre 2000 e 2005, e alcançou as taxas de 5,3% e 5,5%, em 2007 e 2008. E, no caso de alguns países produtores de petróleo e outros minérios estratégicos, estas cifras alcançaram níveis ainda mais expressivos, como em Angola, Sudão e Mauritânia. Esta mudança da economia africana - como no resto do mundo -se deveu ao impacto do crescimento vertiginoso da China e da Índia, que consumiam 14 % das exportações africanas, no ano 2000 e hoje consomem 27%, igual que a Europa e os Estados Unidos, que são velhos parceiros comerciais do continente africano.
Na direção inversa, as exportações asiáticas para a África vêm crescendo à uma taxa média de 18% ao ano, junto com os investimentos diretos chineses e indianos, sobretudo em energia, minérios e infra-estrutura. Neste momento, existem cerca de 800 empresas, e 80.000 trabalhadores chineses na África, com uma estratégia conjunta de “desembarque econômico” no continente, como acontece também, em menor escala, com o governo e os capitais privados indianos. Neste sentido, não cabe mais duvida, devido ao volume e a velocidade dos acontecimentos: a África é o hoje, o grande espaço de “acumulação primitiva” asiática, e uma das principais fronteiras de expansão econômica e política, da China e da Índia. Mas ao mesmo tempo, não há o menor sinal de que os Estados Unidos e a União Européia estejam dispostos a abandonar suas posições estratégicas, conquistadas e controladas dentro deste mesmo território econômico africano.
Depois da frustrada “intervenção humanitária” dos Estados Unidos, na Somália, em 1993, o presidente Bill Clinton visitou o continente, e definiu uma estratégia de “baixo teor” para a África: democracia e crescimento econômico, através da globalização dos seus mercados nacionais. Mas depois de 2001, os Estados Unidos mudaram radicalmente sua política africana, em nome do combate ao terrorismo, e da proteção dos seus interesses energéticos, sobretudo na região do “Chifre da África” e do Golfo da Guinéa, que até 2015, deverá fornecer 25% das importações norte-americanas de petróleo.
Faz pouco tempo, os Estados Unidos criaram um novo comando estratégico regional no nordeste africano, e neste momento, estão instalando as bases de apoio de sua mais recente iniciativa militar, no continente: a criação do África Coomand - AFRICOM, que segundo o jornal inglês Financial Times, “ marca o inicio de uma nova era de engajamento, sem precedente, da Marinha Norte-Americana na costa oeste da África.” (15/04/2008). Este aumento da presença militar americana, entretanto, não é um fenômeno isolado, porque a União Européia, e a Grã Bretanha, em particular, têm dedicado uma atenção cada vez maior à África. E a Rússia, acaba de assinar um acordo econômico e militar com a Líbia, e logo em seguida, assinará um outro, com a Nigéria, envolvendo venda de armas e dois projetos bilionários de suprimento de gás para Europa, através da Itália, e do deserto do Saara.
Num jogo de xadrez que se complicou ainda mais, nos últimos dias, com a descoberta de um carregamento de armas chinesas enviadas para o governo de Robert Mugabe, no Zimbabwe, através da África do Sul, e com o apoio do governo sul-africano de Thabo Mbeki, segundo denuncia do líder da oposição, no Zimbabwe, Morgan Tsvangirai.
Este quadro fica ainda mais complicado, quando se percebe que tudo isto está acontecendo no momento em que o sistema mundial ingressa numa nova “corrida imperialista”, entre as suas “grandes potências”. Como aconteceu com o primeiro colonialismo europeu que começou com a conquista da cidade de Ceuta, no norte da África, em 1415, estendendo-se em seguida, pela costa africana, e transformando a sua população negra na principal commodity da economia mundial, no início da globalização capitalista. Depois, de novo, na “era dos impérios”, no final do século XIX, as potências européias conquistaram e submeteram - em poucos anos - todo o continente africano, com exceção da Etiópia. E agora, neste início do século XXI, tudo indica que a África será – pela terceira vez - o espaço privilegiado da competição imperialista que está recém começando. A menos que exista um outro Deus, que seja africano.
Contribuição: Antonio Carlos - Sec. Organização PT/Olinda

18 de abril de 2008

Escolas municipais entram em processo eleitoral

Escolas da rede municipal de Olinda entram em novo processo eleitoral para escolher os profissionais que estarão responsáveis pela direção das unidades de ensino. Ao todo são 31 escolas que estarão renovando o quadro de diretores eleitos em 2006. As inscrições das chapas estão sendo realizadas foram realizadas nesta quinta-feira (17) e serão enviadas nesta sexta (18), até o final da tarde, juntamente com o projeto de gestão, para o Conselho Central Eleitoral (CEC). Em seguida, as escolas entrarão em campanha. As eleições estão marcadas para o dia 13 de maio.De acordo com a chefe do departamento de gestão escolar, Edileusa dos Santos, as escolas funcionam normalmente durante o período de eleição e não há prejuízo para atividades pedagógicas da unidade de ensino. “O momento representa uma verdadeira conquista da luta por um espaço mais democrático nas escolas, assim como em todos os níveis do poder público, que vem se consolidando desde 2001 pela Prefeitura Popular”, explicou.O pleito está sendo organizado pela Comissão Eleitoral Central, formada por quatro representantes da Secretaria de Educação, um do Sindicato dos Professores de Olinda, um do Sindicato dos Servidores Municipais, um do Conselho Municipal de Educação e outro escolhido no Fórum dos Conselheiros de Escolas. Terão direito de votar os alunos maiores de 11 anos, professores e funcionários dos colégios e os pais dos alunos menores de 11 anos.Apenas se candidatam os professores que façam parte do quadro efetivo da rede municipal há pelo menos três anos e tenham formação superior na área de educação. Além disso, o candidato também precisará estar há pelo menos seis meses na escola onde pretende participar da disputa e deverá apresentar um plano de gestão para a instituição. Para ser eleito, deverá conquistar 50% mais um dos votos válidos da escola. Os diretores e vices eleitos irão exercer um mandato de dois anos, podendo ser reeleitos por mais dois.

Fidel alerta cubanos sobre a volta ao capitalismo


Raúl, irmão de Fidel, liberou a venda de aparelhos eletrônicos no país.Fidel deixou o poder em 19 de fevereiro último.
Da France Presse
O líder Fidel Castro alertou aos cubanos que uma volta ao capitalismo eliminará os êxitos sociais de sua revolução, em um artigo publicado nesta sexta-feira (11), no qual criticou os "teóricos do acesso fácil aos bens de consumo".
Recentemente, o irmão de Fidel e atual presidente, Raúl Castro, liberou a venda de produtos como computadores, celulares, motos, televisão, entre outros. O ato causou um grande salto de vendas de aparelhos eletrônicos na ilha. Raúl também autorizou que cubanos possam se hospedar em hotéis de turismo do país.
"Se o império (Estados Unidos) conseguir obter de novo o controle de Cuba, não restará uma só das escolas de estudos superiores criadas pela revolução para oferecer esse direito aos jovens; enviariam a maioria para cortar cana; essa é sua política declarada", disse Fidel, que deixou o poder em 19 de fevereiro último. "Washington também tentaria roubar os talentos artísticos e científicos já criados, como faz com os demais países de nosso hemisfério". Em meio às mudanças econômicas impulsionadas pelo governo de seu irmão e sucesso Raúl Castro, Fidel assinalou que "os que fazem culto ao egoísmo sem restrição alguma por parte do Estado jamais poderão construir uma obra social sólida e verdadeira".
Todos os dias, os cubanos se vêem em meio a uma série de pequenas mudanças, incentivadas por Raúl. Informados pelo que chamam de "rádio bemba" (comentário boca a boca), milhares de cubanos vão aos armazéns para comprar ou simplesmente ver os preços de uma série de produtos eletrônicos, com venda restringida desde 2003 devido ao déficit energético do país, segundo explicações oficiais. Panelas de pressão elétricas, DVDs, vídeos e motos elétricas começaram a ser novamente disponibilizados; em breve, haverá também computadores, microondas e outros, que devem chegar aos armazéns a qualquer momento
A comercialização desses produtos é uma das proibições derrubadas por Raúl Castro, cinco semanas após ter sido eleito presidente em substituição a seu irmão, Fidel, que desistiu da reeleição devido a seu debilitado estado de saúde. Cubanos agora também poderão alugar carros, e já circulam rumores de que a comercialização de automóveis particulares seria liberada em breve.

31 de março de 2008

Prévias 2010 - Intenção de votos

Deu no Jornal Hoje - TV Globo
Segunda-Feira, 31 de Março de 2008
Uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira pelo Datafolha mostra a disputa pela presidência da República, dois anos e meio antes da eleição. Os cenários alternam dois candidatos do PSDB e três do PT.
Com José Serra como candidato do PSDB e Marta Suplicy pelo PT, se a eleição fosse hoje, Serra teria 36% por cento dos votos; Ciro Gomes (PSB), 20%; Heloísa Helena (PSOL), 12%; Marta, 8%. Votos em branco e nulos, 16%; não sabem em quem votar, 9%.
Com Dilma Roussef, disputando pelo PT, Serra teria 38%; Ciro Gomes (PSB), 20%; Heloísa Helena (PSOL), 14%; Dilma, 3%. Votos em branco e nulos, 16%; os que não sabem são 9%.
Com Patrus Ananias, como candidato do PT, , Serra teria 38%; Ciro Gomes (PSB), 21%; Heloísa Helena (PSOL), 15%; Patrus, 1%. Votos em branco e nulos, 16%; os que não sabem, 9%.
Se Aécio Neves fosse o candidato do PSDB e Marta Suplicy a escolhida pelo PT, Ciro Gomes (PSB) teria 28%; Heloísa Helena (PSOL), 17%; Aécio, 14%; Marta, 11%. Votos em branco e nulos, 19%; os que não sabem, 11%.
Com Dilma Roussef disputando pelo PT, Ciro teria 31%; Heloísa (PSOL), 19%; Aécio, 15%; Dilma, 4%. Votos em branco e nulos, 19%; os que não sabem, 11%.
Por fim, se Patrus Ananias fosse o candidato do PT, Ciro teria 32%; Heloísa Helena (PSOL), 20%; Aécio, 15%; Patrus, 1%. Votos em branco e nulos, 20%; os que não sabem, 12%.
O Datafolha elaborou também um cenário em que José Serra e Aécio Neves, ambos do PSDB, concorressem à presidência. Se a eleição fosse hoje, Serra teria 34%; Ciro Gomes, 20%; Heloísa Helena, 14%. Votos em branco e nulos, 12%; os que não sabem, 8%.
Avaliação do govenroO Datafolha diz ainda que o presidente Lula alcançou em março a melhor popularidade, em cinco anos e três meses de governo.
55% por cento dos entrevistados consideram o governo Lula ótimo ou bom, contra 50% na pesquisa anterior; 33% acham que é regular – em novembro passado, o índice era de 35%. 11% avaliam o governo como ruim ou péssimo, contra 14% na pesquisa anterior.
O Datafolha entrevistou 4.044 pessoas, entre os dias 25 e 27 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

26 de março de 2008

CAMPANHA DIVIDIDA PT e PCdoB já divergem em Olinda

JORNAL DO COMMERCIO Publicado em 26.03.2008
em 26.03.2008

A disputa sucessória em Olinda, terceiro maior colégio eleitoral do Estado, expôs ontem as divergências internas entre o PCdoB da prefeita Luciana Santos e o PT do vice Paulo Valença sobre o principal programa eleitoral da gestão: o Orçamento Participativo (OP). Valença veio a público externar suas críticas ao OP e reafirmar sua pretensão de disputar a Prefeitura, quebrando um jejum de 16 anos do PT na cidade. Ao tomar conhecimento das críticas, Luciana Santos, que apóia a pré-candidatura do deputado federal Renildo Calheiros (PCdoB), disse que "talvez o ambiente dessa movimentação de candidatura própria do PT, que é legítima, esteja marcando o esforço do vice-prefeito em afirmar algumas diferenças".
Segundo Paulo Valença, o OP olindense corre o risco de ser esvaziado e cair no descrédito da população porque não tem implementado a participação popular no formato em que a gestão do prefeito João Paulo (PT) vem fazendo no Recife. Valença se refere ao fato de o estágio de debate com o povo, sobre o destino dos recursos, não ser efetivado já na fase de planejamento das obras. O vice também reclama do "baixo" índice de execução das obras do programa. Segundo contabilizou, somente 33% delas já foram concluídas.
"Na formulação do nosso programa de governo estamos defendendo um modelo de OP como o que vem sendo feito no Recife, com a participação popular sendo exercida já na fase de planejamento das obras. O que nós temos aqui, onde, excluído o percentual que é destinado ao IPTU, e descontado os recursos utilizados nos serviços públicos, o restante (60%) é dividido com as 10 RPAs (Região Político-Administrativa) de Olinda, corre o risco de cair no descrédito da população. Precisamos recuperá-lo", advertiu.
Luciana confirmou as divergências entre PCdoB e PT sobre o Orçamento Participativo de sua gestão. Destacou, porém, que vem tratando de superá-las. "Felizmente a gente vinha tratado essas divergências de forma muito saudável. Mas talvez o ambiente eleitoral esteja marcando o esforço do PT de marcar algumas diferenças", concluiu. A prefeita ressaltou que o OP de sua gestão é reconhecido internacionalmente, principalmente pelo fato de não se restringir à questão do orçamento, mas incluir um conteúdo temático, como o racial e o da mulher. "O principal problema do OP, em Olinda, não é de ordem política. Mas de fundo objetivo por conta das limitações orçamentárias da cidade. Temos um orçamento muito pequeno e muitas demandas. Por isso é difícil garantir a execução de todas as obras", justificou, frisando que um dos caminhos que está sendo buscado para resolver isso é a inclusão de algumas obras no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal.
Paulo Valença informou que vem colocando esse debate no governo quando lamentou, por exemplo, a extinção da secretaria de Desenvolvimento Econômico. Segundo ele, esse tema precisa merecer atenção especial da gestão, o que não vem ocorrendo, na medida em que a prefeita decidiu transformar a secretaria em uma diretoria. Sobre sua pretensão de disputar a Prefeitura, Valença disse que está conversando muito sobre a proposta. "Temos a responsabilidade de não permitir um retrocesso em Olinda. A gente faz críticas mas também reconhece os avanços da gestão. E a última vez que disputamos (o PT) a Prefeitura de Olinda foi em 92. Está mais do que na hora de nos lançarmos. Partido que não coloca suas propostas não cresce", advertiu.

ÁGUA PRA GENTE

*por William Ferreira A água passa nos canos, mas não é para os canos. É para as pessoas, para os animais, para as lavouras, até mesmo...