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11 de dezembro de 2008

Agricultura familiar e consumo de alimentos

O Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural (Nead) do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) promoveram, nos dias 4 e 5 de dezembro, oficina sobre o projeto de pesquisa "O perfil do consumo de alimentos e a geração de oportunidades para a agricultura familiar: uma análise das Regiões Metropolitanas de Recife e Belém".
Participaram da atividade, além do Dieese e Nead, representantes da Secretaria de Agricultura Familiar (SAF/MDA); da Secretaria de Desenvolvimento Territorial (SDT/MDA); da Companhia Nacional de Abastecimento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Conab/Mapa); e do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS).
O projeto, que está em construção, irá viabilizar pesquisas que possam dar subsídio ao planejamento de ações para fortalecer o mercado interno de alimentos em Pernambuco e no Pará. "A idéia é, por meio do trabalho conjunto entre gestores e analistas de bases de dados, integrar as questões de produção e do consumo, analisando-as do ponto de vista territorial e do desenvolvimento local", explica Lilian Arruda Marques, assessora da Direção Técnica do Dieese.
A oficina teve início com uma apresentação do Dieese sobre o funcionamento da Pesquisa de Orçamentos Familiares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (POF/IBGE). Foram analisadas as possibilidades da POF 2002/2003, que trouxe inovações como o estudo dos rendimentos e despesas não-monetários das famílias, dado importante quando se fala do meio rural (Nas áreas rurais, a parcela não-monetária - trocas, doações etc. - dos rendimentos é a segunda maior (23,3%), atrás dos rendimentos do trabalho (53,4%) e à frente das transferências (16,2%), entre outras).
O coordenador-geral do Nead, Carlos Guedes, fez uma apresentação sobre as possibilidades de análise do Censo Agropecuário, comentando como suas variáveis podem ser trabalhadas, tendo como foco os Territórios da Cidadania. Estão previstos diversos estudos em parceria com pesquisadores e centros de pesquisa e ensino brasileiros. Entre os temas a serem investigados, estão: estrutura fundiária a partir dos territórios; concentração de assentamentos e elementos de identidade e mobilidade social; o impacto das políticas públicas nos Territórios da Cidadania; questões de gênero; ambiente de mercado; educação nos assentamentos; expansão da monocultura e commodities agrícolas. "Estamos animados com o potencial da montagem dessa rede de pesquisadores, que vai nos permitir integrar os estudos de várias instituições aos dados do Censo", declarou Guedes.
Ainda foram apresentadas as possibilidades dos Registros da Conab/Mapa; do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf/SAF/MDA); e do Sistema de Informações Territoriais (SIT/SDT/MDA).
Fonte: Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural

18 de novembro de 2008

Estudo apresenta reuso planejado do esgoto na agricultura

A busca por alternativas de baixo impacto ambiental para problemas cotidianos vem se tornando uma atitude freqüente na sociedade. A coleta seletiva do lixo, a reciclagem e o reaproveitamento de embalagens já são meios comuns de preservar o meio ambiente. Até mesmo o esgoto doméstico e a forma como ele é tratado podem contribuir para a manutenção ecológica de resíduos nas cidades. Um estudo realizado pela Universidade Federal Rural de Pernambuco desmistifica a tradicional visão do esgoto apenas como resíduo inutilizável e apresenta seu potencial de agente transformador, reutilizando-o na agricultura.
Os grandes centros urbanos apresentam dificuldades em despejar e tratar corretamente o esgoto doméstico, o que, muitas vezes, provoca o escoamento irregular, ameaçando o potencial hídrico das cidades e até a saúde da população. É a partir do tratamento do esgoto, portanto, que se torna possível extrair nutrientes que auxiliam as técnicas de fertilização do solo, garantindo, inclusive, a recuperação de rios contaminados.
A técnica chamada de reuso planejado, apesar de conhecida em outros países, só conquistou espaço para discussões no Brasil recentemente. Ela se apresenta como associação de medidas sanitárias e agronômicas através do reaproveitamento agrícola como fertilizante e por meio da limpeza e da conservação dos rios e lagos das cidades.
De acordo com o professor do curso de Engenharia Agrícola e Ambiental da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) Vicente de Paula Silva – responsável pelo projeto piloto já implantado em Pesqueira –, estudos preliminares indicam a possibilidade de reciclagem do esgoto doméstico pelo reuso planejado em culturas de oleaginosas e em outros tipos de plantações.
Segundo o pesquisador, os estudos avaliam os vegetais irrigados com o esgoto tratado, tendo como objetivo a análise do óleo para a produção de biodiesel. “O trabalho da UFRPE, em parceria com o curso de Engenharia Química da UFPE, está em desenvolvimento. Salgueiro também fará parte do projeto como o primeiro município pernambucano a ter sistema de reaproveitamento de esgoto na agricultura”, conta.
O experimento da UFRPE Salgueiro, que ainda será implantado, trará como parceiros a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), a Secretaria de Recursos Hídricos e o Instituto Agronômico de Pernambuco (Ipa).
A comunidade de Mutuca, em Pesqueira, conta com espaço de meio hectare – cerca de cinco mil metros quadrados –, que serve de laboratório para diagnosticar os benefícios e possíveis riscos percebidos na técnica. Para o professor, os resultados conquistados, até o momento, são satisfatórios . “A concentração de nutrientes importantes para o desenvolvimento de culturas – como nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio e magnésio – foram encontradas nas análises”, explica.
Vicente de Paula, alerta, no entanto, que não se pode estender o reuso do esgoto para todas as culturas. De acordo com ele, mesmo tratado, o esgoto apresenta microorganismos que não podem entrar em contato com alimentos de consumo in natura, como as hortaliças. “O sistema de irrigação deve ser localizado para minimizar o contato do líquido efluente – após tratamento – com os vegetais e o próprio ser humano”, pondera.
Apesar de comprovada a eficácia da técnica para o reaproveitamento da água, o Brasil aproveita parcialmente o potencial da técnica, já que pratica apenas o uso do efluente. “A escassez de água no mundo é uma realidade. É a partir de projetos como esse que devemos empreender novos métodos de aproveitamento dos nossos recursos naturais e saber usá-los com cautela”, salienta o pesquisador.
Mais informações: 3320.6261
Fonte: UFRPE

ÁGUA PRA GENTE

*por William Ferreira A água passa nos canos, mas não é para os canos. É para as pessoas, para os animais, para as lavouras, até mesmo...